O crescimento das ferramentas de inteligência artificial generativa tem ampliado a produção de conteúdos digitais em grande escala. Vídeos, imagens e músicas criados por IA passaram a ocupar espaço significativo em redes sociais e plataformas de streaming, levantando debates sobre qualidade, autenticidade e impacto na experiência dos usuários.
Especialistas apontam que o fenômeno vem gerando uma espécie de “poluição digital”, com feeds e recomendações cada vez mais preenchidos por conteúdos automatizados. Em resposta a esse cenário, algumas plataformas começaram a desenvolver recursos que permitem aos usuários reduzir a presença de material produzido por inteligência artificial em seus feeds.
Mesmo assim, especialistas alertam que eliminar totalmente esse tipo de conteúdo é praticamente impossível.
Henry Ajder, consultor que assessora empresas e governos em temas ligados à inteligência artificial e estuda deepfakes desde 2018, afirma que o desafio é comparável ao surgimento da poluição atmosférica durante a revolução industrial.
“Será muito, muito difícil para as pessoas evitarem inalar, nesta analogia”, afirmou o especialista, ao comparar a presença massiva de conteúdos gerados por IA no ambiente digital.
Veja abaixo como algumas empresas estão lidando com essas situações.
Pinterest cria filtro para reduzir conteúdo de IA
Uma das plataformas que passou a oferecer mais controle aos usuários foi o Pinterest. A rede social de inspiração visual vinha sendo alvo de críticas de usuários que reclamavam da grande quantidade de imagens e referências criadas por inteligência artificial.
Para responder a esse problema, a empresa lançou um recurso chamado “ajustador”, que permite regular a quantidade de conteúdo gerado por IA exibido no feed.
Inicialmente disponível para dispositivos Android e computadores, o recurso começou a ser liberado também para iOS. A ferramenta permite reduzir conteúdos de IA em categorias consideradas mais suscetíveis à geração automática, como beleza, arte, moda e decoração.
Outros temas também passaram a integrar o filtro, incluindo arquitetura, entretenimento, saúde, esportes, gastronomia e bebidas.
Para utilizar o recurso, o usuário deve acessar o menu Configurações, selecionar Refinar suas recomendações e, em seguida, entrar em Interesses do GenAI, onde é possível ajustar as categorias nas quais deseja ver menos conteúdos produzidos por inteligência artificial.
TikTok testa controle de conteúdo gerado por IA
O TikTok, uma das maiores plataformas de vídeos curtos do mundo, também enfrenta o aumento da presença de conteúdos gerados por inteligência artificial.
A empresa afirma que pelo menos 1,3 bilhão de vídeos em sua plataforma já foram classificados como produzidos com auxílio de IA.
Para oferecer mais controle aos usuários, a rede anunciou testes de uma atualização que permitirá ajustar a quantidade desse tipo de conteúdo exibido no feed “Para Você”.
O recurso pode ser acessado nas configurações do aplicativo, na seção Preferências de conteúdo, dentro da opção Gerenciar tópicos, onde controles deslizantes permitem ajustar diferentes categorias de conteúdo.
Outra forma de acessar o ajuste é diretamente pelo feed: ao tocar em Compartilhar em um vídeo, o usuário pode selecionar Por que este vídeo?, depois Ajustar seu ‘Para você’ e, por fim, Gerenciar tópicos.
Ainda assim, o TikTok afirma que a ferramenta não elimina completamente os conteúdos gerados por IA, servindo apenas para personalizar a quantidade de material exibido.
Streaming de música também enfrenta avalanche de IA
O impacto da inteligência artificial também chegou aos serviços de streaming de música. Ferramentas como Suno e Udio permitem que qualquer pessoa produza músicas completas a partir de comandos simples em chatbots, o que aumentou significativamente o volume de faixas criadas por IA nas plataformas.
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Entre os serviços de streaming, a Deezer se destaca por oferecer uma forma de identificar esse tipo de conteúdo. A empresa passou a rotular músicas geradas por inteligência artificial, permitindo que os usuários saibam quando uma faixa foi criada por sistemas automatizados.
Segundo dados divulgados pela plataforma, cerca de 60 mil músicas totalmente geradas por IA são enviadas diariamente ao serviço, o que representa aproximadamente 39% de todos os uploads feitos por dia.
No último ano, a empresa afirma ter identificado e classificado mais de 13,4 milhões de faixas criadas com inteligência artificial. De acordo com a plataforma, parte desse material pode estar associada a tentativas de fraude, com contas que buscam gerar receita por meio de reproduções automatizadas.
O avanço da inteligência artificial na produção de conteúdo digital indica que o fenômeno tende a se intensificar nos próximos anos. Para especialistas, o desafio das plataformas será equilibrar inovação tecnológica com transparência, qualidade e controle para os usuários.
Fonte: APNews
