A Microsoft sinalizou que está pronta para dar um novo passo na integração entre pessoas e inteligência artificial, ampliando os recursos de colaboração dentro de suas plataformas.
Durante a conferência Microsoft Alumni Network Connect 2025, realizada nesta terça-feira (9) na sede da empresa, Jared Spataro, diretor de marketing para IA no Trabalho, destacou que a próxima fase do Copilot, ferramenta de produtividade baseada em IA, vai transformar o que hoje é uma experiência individual em um “esporte de equipe”.
“Até agora, o trabalho baseado em IA tem sido uma espécie de esporte solo, e neste outono ele claramente se tornará um esporte de equipe, onde você trabalhará junto com outras pessoas e IA”, disse Spataro.
Expansão do Copilot e novas dinâmicas de trabalho
Segundo o executivo, a Microsoft pretende ampliar o conceito de Páginas Copilot, lançado no ano passado como espaço de colaboração multijogador dentro do Microsoft 365.
Parceiros estratégicos, como a OpenAI, também terão papel importante nesse avanço. O objetivo é permitir que equipes humanas e agentes de IA trabalhem lado a lado em tempo real.
A companhia enfrenta concorrência de peso. Google, Slack, Zoom e diversas startups também desenvolvem agentes e chatbots para uso colaborativo, tornando o setor cada vez mais competitivo.
Impacto na economia e nas carreiras
Spataro apontou que a IA está diluindo as fronteiras entre funções profissionais. Com o que chamou de “custo marginal de especialização” próximo de zero, trabalhadores poderão atuar em áreas antes restritas a especialistas. Ele citou exemplos do LinkedIn, onde designers já escrevem código com apoio de ferramentas de IA.
Esse movimento, segundo ele, reverte a tendência de hiperespecialização descrita por Adam Smith, permitindo que profissionais contribuam de forma mais ampla dentro das organizações. “Seria a liberação da engenhosidade humana”, resumiu.
A mudança também influencia o desenvolvimento de carreira. Profissionais experientes, capazes de avaliar a qualidade das respostas da IA, tendem a obter mais benefícios, e empresas já começam a criar programas que conectam veteranos a novatos para acelerar a adaptação ao uso dessas ferramentas.
Desafios de valor e retorno financeiro
Spataro reconheceu que o custo de US$ 30 mensais por usuário do Microsoft 365 Copilot pode ser difícil de justificar apenas pela produtividade individual. O verdadeiro retorno, afirmou, aparece em nível organizacional, quando empresas medem ganhos em processos e reduções de custos, em alguns casos, chegando a economias de centenas de milhões de dólares.
Qualidade comparável ao trabalho profissional
Em um exemplo interno, a equipe de Spataro utilizou o Copilot com GPT-5 em um projeto com a Universidade de Harvard para estruturar ideias e redigir textos. O executivo relatou que o resultado rivalizou com o trabalho de agências especializadas, atuando como “parceiro de pensamento” e não apenas como ferramenta.
Empresas de fronteira
Para o futuro, a Microsoft prevê o surgimento de “empresas de fronteira”, nas quais humanos definem estratégias e agentes de IA executam grande parte das tarefas. Esse modelo inclui desde assistentes individuais até agentes que gerenciam outros agentes, ampliando a automação sem eliminar o papel decisivo das pessoas.
Spataro concluiu que a pandemia foi um fator-chave para esse avanço, ao acelerar a digitalização e criar os dados e hábitos que hoje alimentam os sistemas de IA.
Fonte: GeekWire
