A Amazon acaba de investir US$ 25 milhões na Rappi, abrindo a possibilidade de adquirir até 12% da companhia colombiana, caso as metas sejam cumpridas.
A princípio, o aporte pode parecer modesto do ponto de vista financeiro. A título de comparação, trata-se de um valor considerado pequeno para a Amazon.
Ainda assim, acima de tudo, ele representa um movimento estratégico significativo: a aliança une a robusta infraestrutura tecnológica e logística da Amazon com a base de milhões de usuários da Rappi, fortalecendo o posicionamento da companhia colombiana, especialmente frente aos gigantes do setor no Brasil.
Além disso, esse movimento posiciona a Amazon para intensificar a disputa contra o Mercado Livre na região, ao mesmo tempo em que abre uma porta de entrada no mercado de delivery, setor que deve movimentar cerca de R$ 28 bilhões até 2029.
A guerra do delivery esquenta no Brasil
A ofensiva da Amazon ocorre em um momento de intensa concorrência no mercado brasileiro de entrega de refeições:
- iFood, líder absoluto com aproximadamente 80 % do mercado, anunciou um plano de investimentos de R$ 17 bilhões entre abril de 2025 e março de 2026. O aporte, com a finalidade de impulsionar o tráfego na plataforma, aumentar a recorrência e ampliar seu alcance operacional, também inclui a contratação de cerca de 1.100 novos funcionários, mais da metade na área de tecnologia, elevando o quadro total para além dos 8.600 colaboradores.
- Meituan, por meio da sua marca internacional Keeta, iniciou sua operação no Brasil em maio de 2025 com um investimento anunciado de US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5,6 bilhões) ao longo de cinco anos para estruturar logística e apoiar comerciantes locais.
- 99Food ressurgiu no mercado brasileiro, após ter saído em 2023, com um investimento estimado em R$ 1 bilhão.
Para o advogado Fernando Canutto, sócio do Godke Advogados e especialista especialista em Direito Empresarial, a operação não é apenas um investimento estratégico, mas também um movimento que pode gerar efeitos relevantes no ambiente concorrencial.
Segundo ele, a entrada da Amazon em uma das principais plataformas de entregas da região deve chamar a atenção de órgãos de defesa da concorrência. “Esse tipo de transação pode levantar questionamentos em instâncias como o Cade, já que envolve players de grande porte e com forte poder de mercado”, explica o advogado.
Por que esse investimento importa?
- Capilaridade aliada à infraestrutura global. A combinação entre a rede da Rappi e a tecnologia da Amazon pode gerar sinergias poderosas, especialmente em mercados onde a logística representa um desafio cotidiano.
- Escalada competitiva. Ainda assim, o iFood demonstra sua força com injeção recorde de recursos — em paralelo ao ingresso de players como Meituan/Keeta e ao retorno da 99Food.
- Estratégia de longo prazo. Embora o investimento atual seja pequeno, a opção de conversibilidade para até 12 % da Rappi indica que a Amazon mantém a porta aberta para fortalecer ainda mais sua presença na América Latina, convergindo sua atuação com o setor de entrega.
Fundada em 2015 por Simón Borrero, Sebastián Mejía e Felipe Villamarín, a Rappi opera como um superapp em diversos países da América Latina, incluindo Brasil, Colômbia, México, Argentina, Chile, Peru, Equador, Costa Rica e Uruguai, oferecendo entrega de refeições, supermercado, farmácia, viagens, entre outros serviços. Em 2023, sua receita estimada foi de US$ 856 milhões, um crescimento de 37 % em relação ao ano anterior.
Com efeito, o investimento da Amazon representa muito mais do que um aporte financeiro: é um movimento estratégico cuidadosamente desenhado para fazer parte da batalha pelo domínio do delivery na América Latina.
À medida que iFood, Meituan/Keeta e 99Food reagem, cada uma com sua própria estratégia e ritmo, o jogo se torna ainda mais acirrado. Com o intuito de assistir, a parceria entre Amazon e Rappi surge como peça-chave desse novo tabuleiro competitivo.
