Como retornar ao mercado de trabalho após experiência como empreendedor

Como retornar ao mercado de trabalho após experiência como empreendedor

O acesso a conteúdos digitais, influenciadores e programas de treinamento que prometem sucesso rápido no empreendedorismo, em vendas ou no mercado financeiro tem atraído profissionais em diferentes regiões do Brasil.

No entanto, a trajetória como trabalhador autônomo ou empreendedor exige dedicação intensa, longas jornadas de trabalho e equilíbrio financeiro e emocional. Nem sempre os resultados esperados são alcançados, o que leva parte desses profissionais a buscar o retorno ao mercado formal de trabalho.

Uma pesquisa da Vox Populi, encomendada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e divulgada no final de 2025, aponta que 56% dos profissionais que atualmente atuam como autônomos e já trabalharam sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) afirmam que voltariam a esse modelo.

Profissionais que passam por um período fora do mercado formal enfrentam o desafio de explicar essa etapa em processos seletivos. Um dos pontos recorrentes é saber comunicar o que foi aprendido durante a pausa, de forma clara e equilibrada, sem omitir dificuldades nem supervalorizar a experiência.

“Especificamente, quem empreende e precisa retornar revela, muitas vezes, receio de que isso seja interpretado como falha ou ausência de alguma habilidade”, afirma Tetê Baggio, CEO e fundadora da Be Back Now.

Segundo a especialista, um erro comum é tratar esse período como tempo perdido. “Não foi um hiato, mas uma experiência profissional que precisa ser traduzida para a linguagem corporativa”, explica.

Tetê Baggio, fundadora da Be Back Now.
Foto: Divulgação

Experiência profissional fora da CLT

De acordo com Tetê, pessoas que empreenderam ou atuaram como investidoras devem evitar descrições vagas ou carregadas de frustração.

“O currículo é um documento estratégico. Ao mencionar empreendedorismo ou investimentos, é importante apresentar competências desenvolvidas e resultados obtidos”, orienta.

Ela recomenda enquadrar esse período como “atuação autônoma”, “consultoria independente” ou “gestão de projetos próprios”, destacando habilidades aplicáveis ao ambiente corporativo.

Como apresentar no currículo

Para quem empreendeu, a especialista sugere descrições objetivas, focadas em competências como gestão, negociação, estratégia, tomada de decisão e execução. “Mesmo quando o negócio não prospera, há aprendizado relevante que pode ser valorizado em processos seletivos”, afirma.

No caso de profissionais que atuaram com investimentos, a recomendação é destacar método, disciplina e análise, sem foco em ganhos ou perdas financeiras. “Gestão de portfólio, acompanhamento de indicadores e planejamento financeiro são habilidades transferíveis para diversas áreas”, pontua.

Abordagem em entrevistas

Durante entrevistas de emprego, Tetê recomenda uma postura direta e madura. “O recrutador quer entender o que foi aprendido e como essa experiência contribuiu para a formação profissional”, diz.

Ela alerta que discursos negativos sobre o mercado, tentativas de ocultar o período fora da CLT ou demonstrações de ressentimento podem prejudicar a avaliação. “A transparência, aliada a uma boa contextualização, tende a ser melhor recebida”, conclui.

Autor

  • Gaby Souza é criador do MdroidTech, especialista em tecnologia, aplicativos, jogos e tendências do mundo digital. Com anos de experiência testando dispositivos e softwares, compartilha análises, tutoriais e notícias para ajudar usuários a aproveitarem ao máximo seus aparelhos. Apaixonado por inovação, mantém o compromisso de entregar conteúdo original, confiável e fácil de entender