O Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube aprovou, na noite de sexta-feira (16), o processo de impeachment do presidente Julio Casares, resultando em seu afastamento imediato do cargo. A votação ocorreu no estádio do Morumbis, em formato híbrido — presencial e virtual — e contou com ampla participação dos conselheiros.
Ao todo, 223 conselheiros participaram da sessão. Destes, 188 votaram a favor do afastamento, 45 se posicionaram contra e dois votos foram em branco. O número superou o quórum mínimo exigido para a aprovação do impeachment, que era de 170 votos.
Motivações do processo
O pedido de impeachment teve como base uma série de questionamentos à gestão de Casares, especialmente relacionados à condução administrativa e financeira do clube. Entre os pontos levantados estão suspeitas envolvendo a comercialização de camarotes no Morumbis durante eventos não esportivos e movimentações financeiras consideradas atípicas. Parte dessas questões passou a ser apurada por autoridades policiais, o que aumentou a pressão política interna.
Além das acusações formais, o ambiente no clube já era de desgaste. Conselheiros apontavam falta de transparência em decisões estratégicas e criticavam os resultados esportivos e a situação financeira do São Paulo. Nos dias que antecederam a votação, torcedores também realizaram protestos contra a diretoria.
Defesa e trâmite interno
A defesa de Julio Casares tentou barrar o andamento do processo por meio de questionamentos jurídicos, incluindo o formato da votação e a validade do quórum. As tentativas, no entanto, não impediram a realização da sessão do Conselho Deliberativo, que manteve a votação conforme previsto.
Antes da deliberação final, instâncias consultivas do clube haviam emitido pareceres contrários ao prosseguimento do impeachment, por entenderem que as provas eram insuficientes. Esses pareceres, porém, não tinham caráter vinculante e não impediram a decisão do Conselho.
Presidência interina e próximos passos
Com o afastamento de Casares, o vice-presidente Harry Massis Júnior assumiu a presidência do São Paulo em caráter interino. Ele ficará à frente da administração enquanto o clube convoca uma Assembleia Geral de Sócios, responsável por confirmar ou rejeitar, em votação definitiva, o impeachment aprovado pelo Conselho.
Caso os sócios ratifiquem a decisão, Massis Júnior seguirá no comando do clube até o fim do atual mandato. Se o afastamento não for confirmado, Julio Casares poderá reassumir a presidência.
Impacto institucional
O episódio representa uma das maiores crises políticas recentes do São Paulo Futebol Clube e ocorre em um momento sensível da temporada, com cobranças por resultados esportivos e ajustes financeiros.
A definição final sobre o futuro da presidência dependerá da Assembleia de Sócios, que deve ser convocada nas próximas semanas e será decisiva para os rumos administrativos do clube.
