A Paramount Skydance confirmou nesta segunda-feira (8) que iniciou uma oferta “indecente” para adquirir a Warner Bros. Discovery (WBD), após perder para a Netflix uma disputa que durou meses pelos ativos da companhia. A proposta, de US$ 30 por ação, será apresentada diretamente aos acionistas da WBD.
A oferta corresponde a um valor empresarial estimado em US$ 108,4 bilhões — o mesmo montante rejeitado pela WBD na semana passada. Segundo comunicado da Paramount, o aporte será financiado com recursos dos investidores e por compromissos de dívida.
Estrutura de financiamento
A transação conta com apoio financeiro da família Ellison (controladora da Skydance), do fundo RedBird Capital e de US$ 54 bilhões em compromissos de dívida fornecidos por Bank of America, Citi e Apollo Global Management.
A proposta inclui ainda participação de fundos internacionais, como o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF), a holding L’imad (Abu Dhabi) e a Autoridade de Investimentos do Catar (QIA). Também participa o fundo Affinity Partners, de Jared Kushner, genro do ex-presidente Donald Trump.
Segundo a Paramount, esses investidores renunciaram a qualquer direito de governança, incluindo assentos no conselho, o que afasta a necessidade de análise pelo Comitê de Investimentos Estrangeiros nos Estados Unidos (CFIUS).
Reação do mercado
Após o anúncio, as ações da Paramount subiram cerca de 9% nesta segunda-feira, enquanto papéis da Warner Bros. Discovery avançaram 4%. A Netflix fechou o dia em queda, com redução de 3%.
Disputa pela WBD
A Paramount Skydance iniciou tratativas para adquirir a WBD em setembro, apresentando três propostas antes de o grupo liderado por David Zaslav abrir um processo formal de venda.
Na sexta-feira (5), a Netflix anunciou acordo para adquirir os estúdios e os ativos de streaming da WBD por US$ 72 bilhões, em uma combinação de ações e dinheiro, avaliada em US$ 27,75 por ação. A Paramount, por sua vez, disputava todo o conglomerado, incluindo canais como CNN e TNT Sports.
“Oferecemos aos acionistas US$ 17,6 bilhões a mais em dinheiro do que o acordo firmado com a Netflix”, disse David Ellison, CEO da Paramount Skydance, em entrevista à CNBC.
Avaliações e contrapropostas
Ellison afirmou que a Paramount alterou termos da proposta solicitados pela WBD e elevou o valor para US$ 30 por ação, mas não recebeu retorno do CEO David Zaslav. Segundo ele, a oferta não é considerada “final”, indicando possibilidade de aumento.
A Paramount defende que manter a WBD integrada, e não dividida entre ativos de TV e streaming, seria mais vantajoso aos acionistas. Ellison avalia em apenas US$ 1 por ação os ativos de TV linear, que passarão a ser negociados separadamente em 2026 sob o nome Discovery Global. A WBD valoriza esse segmento em US$ 3 por ação.
Cenário regulatório e governo Trump
Ellison disse acreditar que a fusão com a WBD teria processo regulatório mais rápido em um governo Trump. Segundo ele, a união geraria “concorrência real com Netflix e Amazon”.
A Paramount questionou a aprovação regulatória do acordo com a Netflix, argumentando que unir o maior serviço de streaming com o terceiro colocado seria anticompetitivo.
“Ano que vem teremos um governo que acredita em competição. Isso será levado em conta”, afirmou Ellison.
Multas e riscos regulatórios
Caso o acordo com a Netflix seja barrado, a empresa concordou em pagar US$ 5,8 bilhões à WBD. Por outro lado, se a Warner desistir do negócio para fechar com outro comprador, pagará uma multa de US$ 2,8 bilhões.
Resposta da Netflix
Em evento do setor nesta segunda-feira, os co-CEOs da Netflix, Greg Peters e Ted Sarandos, reforçaram que o acordo é benéfico para acionistas e para a indústria. Sarandos afirmou que a aquisição preservaria empregos, destacando que a proposta da Paramount prevê US$ 6 bilhões em sinergias — o que, segundo ele, significaria cortes.
“Estamos criando empregos, não cortando”, disse Sarandos.
Fonte: CNBC
