A China decidiu acabar com a isenção de impostos para camisinhas pela primeira vez em mais de 30 anos. A partir de 2026, preservativos passarão a pagar 13% de IVA, enquanto serviços ligados a casamento, creches e cuidados de idosos terão isenção total.
O motivo? O país precisa que as pessoas façam bebês — literalmente. Risos. A taxa de fertilidade chinesa está em apenas 1 filho por mulher, metade do necessário para manter a população estável.
Ajustes fiscais para incentivar famílias
Para estimular a formação de novas famílias, o governo também vai zerar o IVA de serviços essenciais para quem deseja ter filhos: creches, instituições de cuidados para idosos e serviços relacionados ao casamento entram na nova lista de isenções.
A medida marca mais um capítulo na tentativa de reverter uma tendência que se arrasta há décadas. Em 2024, o país registrou apenas 6,77 nascimentos por mil habitantes — reflexo direto da política do filho único, em vigor de 1979 a 2015.
A antiga regra limitava oficialmente as famílias a apenas uma criança, impondo multas, restrições de registro e controle rígido em ambientes de trabalho. O Estado também promoveu o uso massivo de contraceptivos e esterilizações por acreditar que os recursos do país não acompanhariam o ritmo dos nascimentos.
Herança demográfica pesada
O controle funcionou — mas deixou efeitos duradouros. O país hoje enfrenta:
- queda acelerada na força de trabalho,
- população envelhecendo rapidamente,
- desequilíbrio grave entre homens e mulheres, resultado de um histórico de preferência por filhos do sexo masculino.
Segundo o Banco Mundial, a taxa de fertilidade chinesa era de 1 em 2023. Muito distante dos 2,1 necessários para manter o tamanho da população.
Esse cenário ameaça a base da ascensão econômica chinesa desde os anos 1980 — o chamado Milagre Econômico Chinês — apoiada em uma imensa e jovem força de trabalho que impulsionou exportações, indústria e obras de infraestrutura.
Se a população em idade ativa continuar diminuindo, especialistas alertam que o país terá mais dificuldade em manter o crescimento e sustentar uma sociedade que envelhece em ritmo acelerado.
Preocupações e críticas
Apesar da intenção de incentivar nascimentos, a taxação dos preservativos levanta preocupações. Especialistas em saúde pública temem aumento de doenças sexualmente transmissíveis, enquanto críticos afirmam que o problema central não é o preço da camisinha, mas o alto custo de criar um filho na China.
Um relatório do YuWa Population Research Institute aponta que criar uma criança até os 18 anos custa, em média, 538 mil yuans (€65,4 mil) — tornando o país um dos mais caros do mundo para famílias.
