A consolidação da venda da empresa que controla as operações do TikTok nos Estados Unidos deve ser concluída nesta quinta-feira (22). A transação, estimada em US$ 14 bilhões, envolve a reorganização societária da plataforma e a transferência do controle decisório e da gestão de dados de usuários no país.
Na nova estrutura, investidores chineses permanecerão com 20% de participação, enquanto o poder de decisão e o controle dos dados passam para empresas estrangeiras. Entre elas estão o fundo MGX, ligado à família real dos Emirados Árabes Unidos, e a Oracle, empresa norte-americana que ficará responsável pelo armazenamento e gerenciamento das informações dos usuários nos Estados Unidos.
Segundo dados divulgados pelas autoridades norte-americanas, o TikTok é atualmente a quarta maior plataforma digital do país, com cerca de 170 milhões de usuários.
Impactos no modelo de operação
Especialistas apontam que a mudança representa mais do que uma simples realocação de servidores. Para Andressa Michelotti, pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade de Utrecht, a transação pode afetar aspectos estruturais da plataforma.
“A discussão não se limita ao local onde os dados ficam armazenados. Envolve também decisões sobre arquitetura do sistema, políticas de moderação de conteúdo, transparência e funcionamento do aplicativo como um todo”, avalia.
Entre as possibilidades discutidas no setor está a criação de uma versão específica do TikTok para o mercado norte-americano, o que poderia resultar em mudanças na aparência, nas funcionalidades e nos mecanismos de recomendação de conteúdo.
Estrutura societária da empresa
A ByteDance afirma que opera de forma independente e destaca que cerca de 60% de seu capital está distribuído entre fundos internacionais, como BlackRock, General Atlantic e Susquehanna. Outros 20% pertencem a funcionários da empresa, incluindo aproximadamente 7 mil empregados nos Estados Unidos. Os 20% restantes estão nas mãos dos fundadores, entre eles Zhang Yiming.
Apesar das mudanças na operação norte-americana, a empresa informou que o acordo não altera as atividades do TikTok em outros países.
Operações globais e dados de usuários
O TikTok já opera por meio de estruturas empresariais locais em diferentes regiões, como Reino Unido, Estados Unidos e Brasil, em conformidade com legislações nacionais de proteção de dados e regulação digital. Esse modelo, segundo especialistas, pode gerar diferenças nas políticas de moderação, atendimento a demandas judiciais e proteção de usuários.
Na Europa, por exemplo, a plataforma anunciou recentemente ajustes nas políticas de moderação de conteúdo voltadas a crianças menores de 13 anos, com uso de sistemas automáticos e revisão humana de materiais considerados inadequados.
Situação no Brasil
De acordo com a ByteDance, a reorganização societária nos Estados Unidos não impacta a experiência dos usuários brasileiros. A empresa mantém planos de expansão no país, incluindo a construção de um data center em Caucaia, no Ceará, com capacidade estimada de 200 megawatts, voltado ao processamento de dados do TikTok.
O empreendimento está previsto para ser um dos maiores da América Latina e contará com fornecimento de energia a partir de fontes renováveis, como solar e eólica.
No campo regulatório, o setor acompanha a tramitação do Projeto de Lei de Concorrência Digital (PL 4675/2025), que trata da atuação de grandes plataformas nos mercados digitais, além da aplicação da Lei 15.211/2025, que estabelece diretrizes para o tratamento de dados de crianças e adolescentes em ambientes digitais.
A conclusão da operação nos Estados Unidos é vista como um marco relevante para o setor de tecnologia e pode influenciar práticas de governança e estruturação de plataformas digitais em diferentes mercados.
Fonte: Agência Brasil
