A Songscription, plataforma de transcrição musical baseada em inteligência artificial, anunciou a captação de US$ 5 milhões em uma nova rodada de financiamento liderada pela Reach Capital.
Lançada em junho, a startup se apresenta como um “Shazam das partituras” e afirma ter ultrapassado a marca de 150 mil usuários em 150 países ao longo de cinco meses de operação.
A tecnologia desenvolvida pela empresa converte gravações de áudio em partituras editáveis, tablaturas de guitarra ou arquivos MIDI.
Atualmente, a plataforma suporta instrumentos como piano, violino, flauta, guitarra, baixo e trompete, com planos de ampliação para outras categorias musicais.
Segundo a Songscription, o treinamento dos modelos de IA foi feito com material de domínio público e por meio de parcerias com artistas e gravadoras.
A empresa também negocia com editoras musicais globais para expandir a base de dados usada no aperfeiçoamento do sistema.
A rodada de financiamento contou com a participação da Emerge Capital, 10x Founders e Dent Capital. O guitarrista Ron “Bumblefoot” Thal, ex-integrante do Guns N’ Roses, participou como investidor-anjo e atua como consultor da companhia.
De acordo com Andrew Carlins, cofundador e CEO da Songscription, a ferramenta busca resolver a dificuldade na obtenção de partituras precisas para músicas que não possuem versões oficiais publicadas.
“A maioria dos músicos não consegue encontrar facilmente as partituras das músicas que realmente querem tocar. Estamos usando IA para preencher essa lacuna”, afirmou.
Carlins destaca que a missão da empresa também tem motivação pessoal: ele cresceu gaguejando e descobriu na música uma forma de desenvolver fluência na fala. A proposta da plataforma, diz, é permitir que artistas criem partituras instantaneamente e que fãs possam se conectar às músicas de novas maneiras.
O novo aporte será destinado à expansão da biblioteca de instrumentos e ao aprimoramento dos recursos de edição, incluindo ferramentas para ajustar automaticamente o nível das peças de acordo com a habilidade do usuário. A empresa também desenvolve um recurso de feedback em tempo real, descrito como um “professor de música no bolso”.
O consultor Ron Thal avalia que o avanço da IA representa um marco para músicos e educadores. “Para professores e músicos, ter esse tipo de assistência é fenomenal. Até nós, profissionais, podemos usá-la para economizar horas tentando lembrar o que tocamos em álbuns gravados anos atrás”, afirmou.
A advogada Elizabeth Moody, da Granderson Des Rochers e consultora da startup, reforça que a ética no uso da tecnologia é uma prioridade. Segundo ela, a empresa trabalha para firmar acordos com editoras e demais integrantes da cadeia musical, garantindo respeito aos direitos autorais.
Jennifer Carolan, cofundadora da Reach Capital, acredita que a ferramenta representa um avanço para estudantes e criadores. “A IA está transformando a maneira como as pessoas criam e apreciam música. A Songscription permite que músicos de todos os níveis aprendam e compartilhem as músicas que amam”, disse.
A expansão da Songscription ocorre em um momento de crescente escrutínio sobre o uso de IA na indústria musical. Gigantes como Universal Music Group e Sony Music têm adotado ferramentas de detecção de violações de direitos autorais em obras geradas por inteligência artificial, em resposta ao aumento de disputas envolvendo uso indevido de material protegido.
A Songscription foi fundada por Andrew Carlins, Alex Alvarado-Barahona, Katie Baker e Tim Beyer, e afirma que continuará envolvendo todos os agentes do setor — de editoras a detentores de direitos — à medida que amplia seu catálogo e sua atuação global.
