O Brasil comemora neste 5 de outubro, Dia do Empreendedor, um setor que tem ganhado cada vez mais relevância na economia: o de vendas diretas. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD), em 2024 o segmento movimentou aproximadamente R$ 50 bilhões, envolvendo cerca de 3 milhões de empreendedores. Com esse desempenho, o país se mantém como líder na América Latina e figura entre os maiores mercados do mundo.
Do porta a porta ao digital
Se antes o setor era associado a reuniões presenciais, catálogos impressos e visitas de porta em porta, hoje a realidade é outra. A digitalização transformou a forma de vender, e plataformas como WhatsApp, Instagram e TikTok se tornaram vitrines estratégicas para alcançar clientes.
A estudante e consultora de beleza da Natura, Luana Bedusco, de 22 anos, conta que encontrou na atividade uma maneira prática de empreender. “Consigo vender em qualquer horário e de qualquer lugar. Já fiz vendas dentro do ônibus, no intervalo das aulas e até na academia”, relata.
O mesmo ocorre com Antônio Francisco Teixeira de Melo Neto, 19 anos, revendedor da Herbalife. Estudante de Nutrição, ele destaca que a flexibilidade é um dos principais atrativos: “Isso me dá liberdade para performar em tudo, sem aquela pressão de um horário fixo. As redes sociais são a minha principal vitrine”.
Histórias que inspiram
A trajetória de Larissa Bileski, 20 anos, de Joinville (SC), mostra o impacto do setor na vida dos jovens empreendedores. Graças à renda conquistada com a revenda, ela comprou seu primeiro carro. “Comecei com um dinheiro extra que fez diferença no dia a dia, mas hoje se tornou minha principal fonte de renda. Além disso, me tornei mais confiante, desenvolvi habilidades de comunicação e liderança”, afirma.
A disciplina, segundo ela, é determinante. “Todos os dias separo um tempo para divulgar os produtos, responder clientes e organizar pedidos. O importante é manter a rotina ativa para o negócio não parar”, explica.
Diversidade e impacto econômico
A força da venda direta se reflete também na diversidade de segmentos que movimenta: cosméticos e cuidados pessoais representam 42,7% das vendas, seguidos por roupas e acessórios (18%) e saúde e nutrição (10%).
O uso da tecnologia é outra marca: 80% dos empreendedores utilizam aplicativos de mensagens para negociar, e 71% fazem vendas pelas redes sociais, de acordo com dados do setor. Essa mudança mostra como o modelo se adaptou às exigências contemporâneas e se consolidou como uma alternativa viável para quem deseja empreender de forma independente.
Apoio e capacitação
Há 45 anos, a ABEVD atua na promoção de boas práticas, inovação e capacitação de empreendedores. Entre suas iniciativas está a EXPO ABEVD, evento que reúne empresas, especialistas e revendedores para discutir tendências de consumo e novas oportunidades de negócios.
Para a presidente da associação, Adriana Colloca, a data do Dia do Empreendedor é simbólica. “Esses milhões de brasileiros, com resiliência e criatividade, constroem relações de confiança, movimentam a economia e transformam a venda direta em uma poderosa ferramenta de impacto social e econômico. Celebrar essa data é reconhecer o papel central do empreendedor no desenvolvimento do país”, afirma.