O episódio envolvendo Vinícius Júnior e Gianluca Prestianni ganhou repercussão internacional após a vitória do Real Madrid por 1 a 0 sobre o Benfica, na última terça-feira (17), em duelo válido pelos playoffs da Champions League.
Apesar do triunfo merengue, o que mais chamou atenção foi a denúncia de racismo feita por Vinícius Júnior durante a partida.
O atacante brasileiro afirmou ao árbitro que Prestianni o chamou de “mono” — termo que significa “macaco” em espanhol. Imediatamente, o protocolo antirracismo foi acionado, e o jogo ficou paralisado por alguns minutos.
Repercussão imediata e posicionamento de ex-jogadores
O caso rapidamente ganhou dimensão global e provocou manifestações de grandes nomes do futebol. O ex-atacante Thierry Henry, comentarista da BBC, foi direto ao ponto:
“Não me importo com a comemoração de Vini. Quero saber o que Prestianni disse. Recuso-me a falar sobre a comemoração. Prestianni, o que você disse? É só isso que queremos saber.”
Já Lilian Thuram fez um discurso contundente sobre o racismo estrutural no esporte:
“Estamos em 2026 e, em 2026, pessoas negras ainda podem ser humilhadas em campo. Porque racismo é humilhação. (…) Mas por que não acreditamos nesses dois jogadores? Porque a palavra de homens negros não é confiável?”
Thuram também questionou a tendência de desacreditar vítimas de racismo e reforçou que o ato sofrido por Vinícius não está ligado a comportamento, mas à cor da pele.
Mbappé lidera defesa pública de Vinícius
O jogador mais ativo na defesa do brasileiro foi Kylian Mbappé, que fez acusações diretas após o confronto:
“Depois do gol do Vini e da comemoração, o número 25 do Benfica — não vou repetir o nome dele porque ele NÃO MERECE — começou a usar palavras inaceitáveis. Ele chamou Vini de macaco cinco vezes. Cinco vezes.”
A declaração ampliou ainda mais a pressão sobre as autoridades esportivas.
Técnicos entram no debate
O técnico português José Mourinho saiu em defesa de seu atleta e criticou Vinícius Júnior, postura que gerou repercussão negativa na Europa.
Por outro lado, o treinador do Bayern de Munique, Vincent Kompany, dedicou cerca de 12 minutos de sua coletiva para abordar o tema:
“Ele basicamente atacou o caráter de Vinícius para desacreditar sua denúncia. Isso é algo que não devemos aceitar.”
Kompany também rebateu o argumento envolvendo Eusébio e destacou o contexto histórico enfrentado por jogadores negros na Europa.
Já Pep Guardiola fez uma reflexão mais ampla:
“Não é o lugar onde nasceu ou a cor da pele que faz de nós melhores. Ainda há muito trabalho a ser feito. É um problema da sociedade, não apenas do futebol.”
Investigação da UEFA e possível nova regra da FIFA
Após a repercussão mundial, a UEFA abriu investigação formal e já interrogou Prestianni.
O argentino nega ter dito “mono” e afirma ter usado a palavra “maricón”, o que configuraria homofobia — infração que também prevê punição mínima de dez partidas.
Segundo informações divulgadas pela ESPN, o processo está sendo acelerado. O governo de Portugal também estuda abrir uma investigação própria.
De acordo com a FIFA, existe a possibilidade de criação de uma norma, informalmente chamada de “Lei Prestianni”, que proibiria jogadores de cobrirem a boca com a camisa ou com as mãos para proferir insultos em campo.
Pronunciamento de Vinícius
Após a partida, Vinícius Júnior se manifestou nas redes sociais:
“Racistas são, acima de tudo, covardes. Precisam colocar a camisa na boca para demonstrar como são fracos. Nada do que aconteceu hoje é novidade na minha vida e da minha família.”
O atacante também criticou a execução do protocolo antirracismo e afirmou ter recebido cartão amarelo por comemorar o gol.
Outras reações e desdobramentos
O ex-meia holandês Wesley Sneijder também criticou a postura de Prestianni:
“Isto é um absurdo! Se vai dizer isso, diga sem cobrir a boca. Seja homem.”
Segundo a ESPN, o Benfica já identificou torcedores que teriam cometido atos racistas contra Vinícius e avalia punições, especialmente se forem sócios do clube.
O Real Madrid informou, por meio de nota oficial, que colaborou com as investigações e entregou provas à UEFA. A decisão final agora está nas mãos da entidade.
O novo episódio reforça um histórico recente de denúncias envolvendo Vinícius Júnior em competições europeias. A investigação da UEFA poderá resultar em punições esportivas severas e até influenciar mudanças regulamentares no futebol internacional, ampliando o debate sobre racismo e discriminação dentro e fora dos estádios.
