À medida que a COP30 se aproxima, marcada para novembro em Belém, iniciativas empreendedoras na Amazônia Legal e no Nordeste ganham destaque ao demonstrar como inovação, cultura e sustentabilidade podem caminhar juntas.
O projeto Negócio Raiz, da Aliança Empreendedora, com apoio da Youth Business International (YBI) e financiamento da Standard Chartered Foundation, reúne jovens microempreendedores que transformam tradições regionais em soluções de impacto social, cultural e ambiental.
A iniciativa, que faz parte do programa global Futuremakers, fortalece a sociobioeconomia local por meio de capacitação, mentorias e investimentos semente.
Em dois anos, mais de 1.800 microempreendedores foram apoiados nas regiões Norte e Nordeste. No dia 29 de outubro, oito participantes receberão aporte financeiro de R$ 3 mil e participarão de uma imersão presencial para ampliar seus negócios.
Segundo Sidnei Pereira, assessor de Empreendimentos da Aliança Empreendedora, dar visibilidade a práticas sustentáveis regionais é fundamental para inspirar novos negócios.
“As práticas sustentáveis muitas vezes estão intrínsecas à forma como esses empreendedores vivem e valorizam seus territórios. Ao mostrarem suas criações e ampliarem seu alcance, tornam-se inspiração para novas iniciativas”, afirma.
Moda sustentável e memória afetiva
O crochê e o macramê, técnicas tradicionais passadas entre gerações, despontam como caminhos de renda e preservação cultural. Em Mocajuba (PA), a artesã Ana Paula Lopes Maués transforma fios residuais e sementes de açaí em bolsas e sandálias.
“Cada metro de fio que seria descartado ganha uma nova vida. As sementes de açaí também carregam a história da Amazônia em cada peça”, relata.
Em Belém (PA), Natieli Reis Porto, fundadora da NatiCrochê, usa fios reciclados e juta amazônica. Ela conta que aprendeu a técnica ainda criança, com a mãe e a tia.
“Eu não faço só peças. Eu mantenho viva uma arte ancestral, conectando tradição e sustentabilidade”, afirma.
No Ceará, Maria Ariadna Miranda Lacerda, do Lacer’s Ateliê Criativo, reaproveita resíduos têxteis em crochê, macramê e costura criativa.
“O artesanal ainda é subestimado, mas ele preserva saberes, gera renda e fortalece nossa identidade”, destaca.
Sociobioeconomia e gastronomia de raízes
Na gastronomia, os negócios apoiados pelo projeto promovem alimentação local, ancestralidade e agroecologia.
Em Fortaleza (CE), Adriana Passos, do Laboratório de Encantos, pesquisa culturas alimentares afro-indígenas e produz geleias com flores comestíveis, brigadeiros veganos e pratos sazonais.
“Nosso trabalho é político. Resgata memórias e valoriza pequenos produtores e práticas sustentáveis”, explica.
Em Olinda (PE), José Carlos Souza cultiva açaí, cacau e mandioca para produzir alimentos e fortalecer a alimentação local.
“Aprendi a valorizar nossa cultura e vi que a sustentabilidade pode ser uma oportunidade real”, diz.
Já em Aracaju (SE), Rayana Machado criou a Nagô Comidaria, delivery que resgata a culinária afro-brasileira com pratos como acarajé artesanal.
“Cada prato movimenta a economia local, valoriza nossa ancestralidade e fortalece a identidade cultural”, afirma.
Com práticas que unem bioeconomia, tradição e inovação, os jovens empreendedores demonstram que a transição para uma economia sustentável pode nascer dentro das comunidades , impulsionando renda, fortalecendo identidades e preservando a floresta.
