Bernardo Assad, fundador da NFA, acusa a Garena de sufocar o competitivo de Free Fire após strikes no YouTube durante a NFA World BetWarrior.
Por
Ronny Rolim
O fundador da NFA (Liga NFA), Bernardo Assad, publicou neste fim de semana um forte desabafo público após a organização sofrer dois strikes por direitos autorais relacionados a transmissões de Free Fire no YouTube. Segundo ele, as ações partiram do canal FF Esports BR, ligado à Garena.
O posicionamento ocorre após a conquista do Fluxo W7M na NFA World BetWarrior, evento que abriu o calendário competitivo de 2026, bateu recordes de audiência e evidenciou o alcance do cenário independente de Free Fire no Brasil.
Strikes resultaram na remoção de todo o conteúdo
De acordo com Bernardo Assad, a NFA decidiu remover imediatamente todas as transmissões de Free Fire do canal oficial como medida preventiva após os strikes recebidos.
“Agimos imediatamente. Retiramos todas as nossas transmissões de Free Fire do ar. Quem acompanha o canal já percebeu isso”, escreveu o dirigente.
Segundo ele, junto com os vídeos saiu do ar também uma história construída ao longo de anos, ainda antes da atual gestão do produto por parte da Garena.
“Não é alinhamento global, é padrão”, afirma Assad
No texto publicado em suas redes sociais, Bernardo Assad rejeita a ideia de que os conflitos sejam fruto apenas de desalinhamento global entre regiões. Para ele, existe um padrão recorrente de bloqueios sempre que projetos independentes ganham visibilidade.
“É sempre quando fura a bolha. Já foi os mesmos times, já foi emulador, já foi mudar todo o calendário, já foi tirar patrocinadores”, afirmou.
Segundo o fundador da NFA, o incômodo não estaria apenas na liga, mas no movimento autossustentável que se formou ao redor dela.
Crítica direta à gestão do competitivo de Free Fire
Bernardo Assad fez uma das críticas mais duras já vistas contra a condução do cenário competitivo de Free Fire no Brasil. Para ele, o jogo segue forte em números de jogadores, mas o conteúdo competitivo enfrenta um fracasso estrutural.
“O Free Fire não está morrendo. O que existe é um fracasso crescente de conteúdo competitivo, mascarado por bons números”, declarou.
Comparação com outros jogos competitivos
No desabafo, Assad apresentou comparações diretas com outros títulos do mesmo segmento:
- Free Fire: cerca de 30 milhões de jogadores diários no mundo
- Entre 3 e 5 milhões de jogadores ativos por dia no Brasil
- Transmissões competitivas raramente ultrapassam 100 mil espectadores
Segundo ele, em jogos como League of Legends, o conteúdo competitivo atinge aproximadamente 50% da base ativa, enquanto no Counter-Strike grandes torneios frequentemente registram mais espectadores do que jogadores ativos.
Impacto na percepção da comunidade
De acordo com Assad, a baixa audiência competitiva cria uma percepção equivocada dentro da própria comunidade.
“Quando a comunidade vê transmissões vazias, a leitura é simples: o jogo está morrendo. Mas não está. O problema é como o conteúdo é tratado”, afirmou.
Ele destaca que essa falha localizada acaba sendo interpretada como um problema geral, afetando a imagem do jogo como um todo.
“Crescer virou punição”, diz fundador da NFA
Na parte final do texto, Bernardo Assad afirma que o maior problema do ecossistema atual é a associação entre sucesso e punição.
“Quando crescer gera punição, quando bater recordes gera restrições e quando inovar aumenta o risco, o sinal não é de evolução. É de bloqueio”, escreveu.
Segundo ele, esse modelo coloca em xeque a sustentabilidade do cenário competitivo no longo prazo.
Garena ainda não se pronunciou
Até o momento da publicação desta matéria, a Garena não emitiu posicionamento oficial sobre os strikes mencionados por Bernardo Assad nem respondeu publicamente às críticas feitas pelo fundador da NFA.
O episódio amplia o debate sobre direitos autorais, controle de conteúdo e espaço para organizadores independentes no cenário competitivo de Free Fire no Brasil.
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