O varejo brasileiro encerrou dezembro de 2025 com recuperação no movimento mensal, embora os indicadores anuais sigam pressionados. Dados do Índice de Performance do Varejo (IPV), elaborado pela HiPartners, mostram que o fluxo de visitas aumentou em relação a novembro, com alta de 53% nas lojas de shopping e de 39% nas lojas de rua.
Na comparação com dezembro de 2024, o desempenho permanece negativo. O fluxo de visitação caiu cerca de 10% nos shoppings e 15,5% nas lojas de rua, indicando que o avanço recente ainda não recompôs os níveis do mesmo período do ano anterior.
A mesma tendência aparece no faturamento: enquanto houve crescimento mensal de 66% nos shoppings e de 9% nas lojas de rua, o resultado anual aponta queda de 2% e 26%, respectivamente.
No consolidado nacional, o faturamento do varejo recuou 24% na comparação ano a ano, acompanhado de retração aproximada de 13% no ticket médio geral. Regionalmente, o cenário foi majoritariamente negativo.
O Centro-Oeste registrou crescimento de 71% no fluxo de visitas, mas com queda de 12% no faturamento. Sudeste e Sul concentraram os resultados mais pressionados, com destaque para o Sudeste, onde o faturamento caiu mais de 31% frente a dezembro de 2024.
A análise por segmentos aponta comportamento heterogêneo. No acumulado do mês, móveis e eletrodomésticos lideraram o crescimento do fluxo de visitas, com alta de 22%, seguidos por outros artigos de uso pessoal e doméstico, que avançaram 5%. Em outros segmentos, os resultados foram mais moderados, indicando um consumo concentrado em categorias específicas.
“Ainda que o cenário siga desafiador, especialmente para o varejo físico, os dados do IPV reforçam que momentos de maior pressão tendem a acelerar movimentos estruturais importantes. O aumento pontual do fluxo de consumidores evidencia oportunidades para os varejistas que conseguirem capturar melhor essa demanda por meio de tecnologias voltadas à eficiência de custos, otimização operacional e monetização da jornada do cliente. Soluções que ampliam produtividade, reduzem desperdícios e criam novas avenidas de receita, como retail media, dados, automação e experiências híbridas, ganham protagonismo como alavancas estratégicas para atravessar um ambiente mais árduo e preparar o varejo físico para um novo ciclo de competitividade”, afirma Walter Sabini Junior, sócio fundador da HiPartners.
