As favelas brasileiras movimentam cerca de R$ 300 bilhões por ano, valor superior ao Produto Interno Bruto (PIB) de países como Bolívia e Paraguai, segundo o Instituto Data Favela.
O volume evidencia o peso econômico desses territórios e sua participação crescente na economia criativa.
Apesar do impacto econômico, o acesso a oportunidades ainda é limitado.
De acordo com o relatório Sonhos da Favela 2026, 38% dos entrevistados afirmam que desejam ter um negócio próprio. Outros 24% indicam interesse em trabalhar com o que gostam, 16% pretendem ingressar no serviço público e 6% buscam um emprego formal.
O levantamento aponta que a educação continua sendo um dos principais caminhos para a mobilidade social nas periferias. Especialistas destacam a importância de políticas públicas voltadas à formação profissional, geração de renda e inclusão em redes produtivas.
Segundo Nathalia Leal, gerente das Escolas Criativas Boca de Brasa, da Fundação Gregório de Mattos, iniciativas de formação contribuem para ampliar o acesso ao mercado cultural.
“É necessário investir em formação e fortalecer redes locais para ampliar as oportunidades nos territórios”, afirmou.
Ela também destaca a importância de descentralizar ações culturais.
O Movimento Boca de Brasa, que será realizado nos dias 26, 27 e 28 de março, em Salvador, reúne atividades voltadas à formação, circulação artística e desenvolvimento de iniciativas criativas.
O programa atua na qualificação técnica e artística de jovens e busca ampliar a inserção no mercado da economia criativa.

“O movimento cria oportunidades para artistas, produtores e empreendedores apresentarem seus trabalhos, ampliarem suas redes e fortalecerem suas trajetórias. Esse processo começa na base, com formação e suporte. Ao integrar formação, circulação artística e economia criativa, fortalecemos os territórios e impulsionamos a sustentabilidade da produção cultural na cidade”, reforça.