A fim de contribuir com soluções práticas para desafios ambientais, três jovens estudantes de São Paulo desenvolveram uma plataforma que utiliza inteligência artificial para prever desastres climáticos e estimar os custos que esses eventos poderiam causar aos cofres públicos.
A tecnologia também compara quanto as prefeituras podem economizar ao investir em ações preventivas. O projeto venceu a etapa de Curitiba do hackathon Devs de Impacto e rendeu ao trio prêmio de R$ 20 mil e US$ 1,5 mil em créditos da OpenAI.
A solução, chamada Clima Seguro, foi criada pelos estudantes Davi Jesus, de 19 anos, Thiago Volcati e David Nascimento, ambos de 20 anos, todos do Instituto de Tecnologia e Liderança (Inteli).
Eles participaram da maratona de 36 horas ao lado de outros 56 competidores. A iniciativa desafiou desenvolvedores a propor ferramentas baseadas em IA com foco em problemas sociais, tendo o clima como tema central.
Com modelagem matemática e análise de dados, o Clima Seguro estima o risco de desastres em diferentes regiões do país e calcula o impacto econômico de enchentes, deslizamentos e outros eventos extremos. Além disso, oferece relatórios comparativos que, antes de mais nada, ajudam gestores públicos a entender o retorno financeiro de investir em prevenção.
Para Davi Jesus, a experiência reforçou o potencial da tecnologia para o clima. “Foi a primeira vez que viajei para participar de um hackathon e poder construir algo com meus amigos que representa o potencial de soluções ambientais no Brasil foi sensacional”, afirmou.
Movimento nacional de inovação
O Devs de Impacto é promovido pelo iMaster e ApplyBrasil, com apoio da OpenAI e produção da NewHack. O programa realiza hackathons pelo país com equipes de três a quatro participantes, acompanhamento de mentores e foco em projetos de impacto social.
A etapa de Curitiba foi a segunda edição, após São Paulo. O próximo encontro está previsto para 8 e 9 de novembro, em João Pessoa (PB).
De acordo com Caio Coimbra, diretor executivo da ApplyBrasil, o objetivo de aproximar desenvolvedores de desafios reais foi alcançado.
“Não é possível construir soluções escaláveis sem tecnologia e sem pensar em como governos podem adotar dados e inteligência artificial”, destacou.
Para Rodrigo Terron, fundador da NewHack, a diversidade e complementaridade da rede de mentores é um diferencial. “Temos uma rede multidisciplinar e muito técnica, o que fortalece a construção dos projetos”, afirmou.
Debate sobre regulação da IA
Durante a abertura do evento, Sergio Oliveira, gerente de Projetos e Novos Negócios da EcoStage, alertou para os riscos de uma regulação excessivamente restritiva da inteligência artificial no país. Ele citou o PL 2338/23, que tramita no Congresso e visa criar regras para desenvolvimento e uso da tecnologia.
O executivo destacou que, ainda que regulamentação seja necessária, um marco legal mal calibrado pode inibir a inovação, limitar o acesso a ferramentas e prejudicar especialmente startups e jovens desenvolvedores. “Essa galera que está aqui criando soluções quer gerar impacto. Eles precisam saber o que está acontecendo, porque em breve estarão atuando no mercado e podem ser afetados”, afirmou.
Assim sendo, o debate sobre inovação sustentável segue avançando, e iniciativas como o Devs de Impacto mostram como a inteligência artificial pode, ao mesmo tempo, impulsionar soluções climáticas e inspirar novas gerações de talentos tecnológicos no Brasil.
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