O último trimestre de 2025 evidenciou diferenças no desempenho das empresas brasileiras entre os principais setores da economia. O varejo ampliado encerrou o período com queda próxima de 2%, impactado pela desaceleração do consumo das famílias e pela maior cautela do consumidor. A indústria registrou retração acumulada em torno de 1,5%, pressionada pelo aumento do custo do crédito, prazos de pagamento mais longos e redução da demanda por bens duráveis e equipamentos.
Entre pequenas e médias empresas, cerca de 40% encerraram o ano com faturamento inferior ao de 2024. O resultado reflete a combinação entre custos operacionais elevados, ciclos de venda mais longos, pressão sobre margens e dificuldades de acesso a capital em um ambiente de juros elevados. O cenário ampliou a diferença entre empresas que perderam ritmo e aquelas que mantiveram crescimento por meio de ajustes em produto, processos e gestão.
É nesse contexto que ganham relevância as cinco diretrizes apresentadas pelo CEO da Equity Group, João Kepler, voltadas a empresas que buscam dobrar o faturamento com previsibilidade e método.
“Dobrar o faturamento não é sobre fazer mais atividades, mas sobre fazer as atividades certas com consistência diária”, afirma Kepler. Segundo o executivo, a primeira diretriz consiste em identificar de forma objetiva onde está o lucro da operação, separando iniciativas que geram retorno daquelas que apenas consomem recursos.
A segunda diretriz envolve a construção de uma estrutura de vendas previsível, baseada em metas diárias, controle do custo de aquisição de clientes e um funil comercial organizado, reduzindo a dependência de oscilações pontuais de demanda. “Negócios que crescem rápido são negócios que variam pouco o método. Escala é consequência de disciplina, não de sorte”, afirma.
A terceira diretriz, de acordo com Kepler, está relacionada à padronização de processos, com definição de rotinas de gestão, acompanhamento de indicadores e metodologias replicáveis que permitam escalar a operação sem perda de margem.
A gestão financeira orientada ao caixa aparece como a quarta diretriz. Em um ambiente de crédito caro, empresas que buscam crescer precisam controlar prazos de pagamento e recebimento, reduzir gargalos operacionais, identificar pontos de erosão de margem e otimizar o uso do capital de giro. Nesse contexto, o fluxo de caixa deixa de ter apenas função contábil e passa a integrar decisões estratégicas.
A quinta diretriz apresentada por Kepler envolve a formação de alianças estratégicas para ampliar a distribuição, reduzir o tempo de aquisição de clientes e acelerar a expansão comercial. Para o executivo, parcerias estruturadas ajudam a antecipar resultados e mitigar riscos. “Quase nenhuma empresa dobra de tamanho sozinha. O que dobra negócio é ecossistema, não isolamento”, afirma.
A projeção para 2026 indica um ambiente ainda mais desafiador para empresas que operam sem planejamento estruturado. Consumidores mais seletivos, concorrência crescente, avanço tecnológico e manutenção de juros elevados tendem a pressionar modelos de negócio menos organizados. Para Kepler, o cenário favorece empresas que estruturam processos e profissionalizam a gestão. “Quando o empreendedor entende que dobrar o faturamento é um projeto executável, passa a agir com estratégia e disciplina. Planos executáveis são aqueles que cabem na rotina da empresa”, conclui.
