Em um cenário marcado pela padronização e pela produção em larga escala, a marca brasileira Ybirá aposta no crochê sob medida como modelo de negócio e proposta estética. Criada pela empreendedora Julia Hoffmann, a marca tem como base o trabalho manual e a valorização de referências culturais brasileiras.
O nome Ybirá tem origem indígena e significa “árvore”. A escolha reflete a proposta da marca de estabelecer conexão com o território, a memória e os saberes tradicionais. Segundo a fundadora, a ideia foi construir uma identidade que unisse propósito, origem e processo produtivo.
A trajetória da marca começou durante a pandemia, quando Julia aprendeu crochê com a avó, aos 15 anos. Inicialmente tratada como atividade informal, a prática passou a ganhar escala a partir de encomendas mais complexas. Hoje, aos 19 anos, estudante de Medicina, Julia atua como CEO e diretora criativa da Ybirá, enquanto a execução das peças fica a cargo de crocheteiras especializadas.
O modelo de produção é um dos principais diferenciais da marca. Cada peça parte de um desenho autoral desenvolvido internamente e, a partir dele, é confeccionada sob encomenda e sob medida. O processo considera as proporções do corpo da cliente, o que resulta em peças personalizadas, mesmo quando seguem o mesmo modelo-base.
Essa lógica afasta a Ybirá da produção industrial e a insere no segmento de moda artesanal. Vestidos com franjas, fios com brilho e paleta em tons neutros, como dourado, areia e bronze, concentram a maior parte da demanda, especialmente em períodos como o verão e o Réveillon.
Além do aspecto estético, o tempo de produção e a técnica empregada são elementos centrais da proposta. A marca trabalha com prazos mais longos e valoriza o processo manual como parte do produto final, associando a peça à história de quem a produz.
Com foco no mercado nacional, a Ybirá também observa o interesse crescente do exterior pelo crochê brasileiro, impulsionado pela tradição artesanal e pela disponibilidade de mão de obra especializada no país. A estratégia de expansão, segundo a fundadora, passa por manter a identidade brasileira como eixo central do negócio.
Ao adotar o crochê sob medida como linguagem e método, a Ybirá se posiciona em um nicho que prioriza processo, autoria e identidade em um mercado cada vez mais atento à origem e à forma de produção das peças.