Atual campeã, a Beija-Flor de Nilópolis defenderá o título do Carnaval levando à Avenida o Bembé do Mercado, tradicional celebração do Recôncavo Baiano. Saiba mais sobre o tema que será abordado pela Soberana da Baixada Fluminense.
Com mais de 130 anos, o Bembé do Mercado é uma das maiores manifestações afro-brasileiras. Celebrada anualmente em 13 de maio, a festividade é considerada o único Candomblé a céu aberto do mundo.
Com início em 1889 para comemoração da abolição da escravatura, o Bembé acontece em Santo Amaro da Purificação e reúne milhares de adeptos todos os anos. Além disso, é reconhecidamente Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil desde 2019.
“Em Santo Amaro, todo treze de maio
Nossa ancestralidade é festejada à luz do céu”
No Largo do Mercado, ervas, comidas, danças, rodas de samba e capoeira, atabaques, dendê, músicas e a memória dos ancestrais do povo preto tomam as ruas, como símbolo de exaltação à cultura preta e representatividade.
Yemanjá, orixá das águas salgadas, e Oxum, orixá das águas doces, são duas das Yabás (mãe rainha, em Yorubá) celebradas nas festividade, em balaios amarelos e azuis, suas cores, respectivamente. Cortejos são constantes durante todo o dia, onde as homenagens percorrem a cidade e encontram as àguas.
“Põe erva pra defumar
Um ebó pra proteger
Saraiêiê bokunan, saraiêiê!
Nosso povo é da encruza
Arte preta de terreiro
É mistura de cultura
Multidão de macumbeiro”
João de Obá
Presente no samba-enredo da Beija-Flor, João foi um africano de origem malê que – de acordo com memória oral – primeiro ocupou as ruas do Largo do Bembé, com posse de atabaques, frutas e flores, saudando os orixás, a céu aberto, por três dias seguidos, sendo o precursor e grande incentivador da celebração. É considerado um griô, termo africano que se refere à figura de um sábio, guardião, que é comumente conhecido e tem o respeito de determinado território.
“Ê ê… João de Obá, griô sagrado
Ê ê… herança viva no Mercado
Cantando, saudamos a nossa fé
Às nações do Candomblé”
Dona Canô
Outra figura citada no samba da escola, Dona Canô é mãe de Caetano Veloso e Maria Bethânia. Ela, assim como os filhos famosos, é de Santo Amaro da Purificação. É figura famosa na cidade, sendo considerada a matriarca da região e uma das principais apoiadoras do Bembé. Canô morreu em 2007, aos 105 anos de idade.
“É Dona Canô de todo recanto
Evoco a Baixada de Todos os Santos!”
A Beija-Flor de Nilópolis será a segunda escola a desfilar na segunda-feira, dia 16, no Sambódromo. Entre críticos e populares, a apresentação é uma das mais aguardadas do ano, colocando a agremiação entre as favoritas para vencer o Carnaval. Como promete a escola, a Sapucaí “vai virar macumba”.
