A maior rede de academias de baixo custo da América Latina, Smart Fit, viu suas ações na bolsa sofrerem uma queda brusca de cerca de 8% em 15 de janeiro de 2026 após declarações francas de seu CEO, Edgar Corona, sobre o aumento da concorrência e os riscos de compressão das margens de lucro ao longo do ano.
O recuo no preço dos papéis foi interpretado pelo mercado financeiro como um alerta sobre a intensidade da competição no setor low cost, segmento que a própria Smart Fit ajudou a consolidar no Brasil.
Corona mencionou, em reunião com analistas e gestores, que a disputa por espaços e clientes pode “espremedor” os lucros da companhia em 2026 — comentário que repercutiu negativamente entre investidores.
Crescimento acelerado e novos adversários
Desde o IPO em 2021, quando abriu capital na B3 e passou a captar investimentos para seu plano de expansão, a redesenho Smart Fit dobrou de tamanho, chegando a mais de 2 mil unidades espalhadas por 15 países e mantendo posições de líder no Brasil e em grande parte da América Latina.
No entanto, o contexto competitivo mudou: durante a pandemia de COVID-19, muitas redes menores sofreram retração ou fecharam unidades, favorecendo o crescimento da Smart Fit. Hoje, esse cenário se inverteu em parte. Redes como Panobianco, Selfit, Skyfit e outras têm ampliado sua presença com aportes de fundos de investimento e estratégias agressivas de expansão, capitalizando o boom fitness que o país vive nos últimos anos.
A Panobianco, por exemplo, expandiu de cerca de 60 unidades para mais de 400 após a pandemia e deve faturar mais de R$ 800 milhões em 2025, com planos de crescimento de mais de 200 unidades em 2026. Parte de sua visibilidade veio de ações de marketing de grande alcance, como o patrocínio da academia no programa Big Brother Brasil.
Já a Selfit consolidou presença no Norte e no Nordeste do país com suporte do fundo HIG Capital, configurando-se como um competidor regional forte no modelo de academias acessíveis.
O “boom fitness” e o tamanho do mercado
O Brasil atrai capital e atenção justamente porque o mercado fitness segue em expansão: segundo dados do setor, o número de praticantes de atividades em academias saltou de 10 milhões para 15 milhões nos últimos cinco anos, enquanto o total de unidades ultrapassou 56 mil em todo o país. Essa penetração coloca o Brasil entre os países com maior proporção de frequentadores de academias no mundo.
O crescimento do segmento low cost — com mensalidades consideravelmente mais baixas que modelos premium (a partir de cerca de R$ 89 por mês, em comparação com até R$ 700 em redes tradicionais) — democratizou o acesso ao serviço e permitiu que novas marcas ganhassem escala rapidamente.
Impactos no mercado financeiro
O comentário de Corona sobre os desafios competitivos serviu de gatilho para a volatilidade recente das ações da Smart Fit, que mesmo após a queda acumula performance positiva no ano. Investidores agora monitoram com atenção tanto os resultados operacionais previstos para 2026 quanto as estratégias que a liderança adotará para manter margens e participação de mercado diante de rivais mais agressivos.
Expansão internacional e estratégia
Apesar dos desafios no Brasil, a Smart Fit segue comprometida com sua expansão internacional. A rede planeja inaugurar centenas de novas unidades ao redor do mundo, mantendo sua presença em mercados importantes como México, Colômbia, Argentina e recentemente Marrocos. Esse movimento é parte da estratégia de solidificar sua liderança global no segmento low cost e diluir riscos geográficos e operacionais.
Panorama futuro
O setor de academias no Brasil e na América Latina deve continuar aquecido, com modelos de baixo custo ganhando relevância e capital externo impulsionando novos entrantes. A capacidade de marcas como Smart Fit, Panobianco e Selfit de equilibrar expansão, qualidade e retenção de clientes será determinante para definir quem conquista o “supino” definitivo no mercado fitness regional ao longo de 2026.
Serviço ao leitor: para investidores, acompanhar os relatórios trimestrais da Smart Fit (SMFT3) e os comunicados sobre abertura de novas unidades pode oferecer sinais antecipados de desempenho operacional e perspectivas de lucros futuros na B3.
