Poucos grupos na música brasileira têm a autoridade e o legado do Grupo Fundo de Quintal. Nascido em 1970, o conjunto não apenas consolidou uma nova estética musical, como redefiniu o modo de se fazer samba no Brasil.
Criado por Bira Presidente, Ubirany e Sereno, o Fundo de Quintal surgiu entre rodas de samba do subúrbio carioca, A primeira formação do grupo tinha Almir Guineto, Bira Presidente, Jorge Aragão, Neoci, Sereno, Sombrinha e Ubiranya.
Eles se reuniam em encontros informais e abertos para experimentar sons, o que atraía diversos novos compositores.
A Revolução dos Instrumentos
A grande virada foi musical e técnica. O grupo chamava atenção através da utilização de instrumentos até então incomuns nas rodas de samba, o que se tornariam símbolos do “samba de raiz” moderno:
- Tantã (criado por Sereno)
- Banjo de 4 cordas com braço de cavaquinho (criado por Almir Guineto)
- Repique-de-mão (criado por Ubirany)
- Pandeiro com marcação diferenciada
Esses instrumentos foram responsáveis pela inovação harmônica e percussiva no Samba.
Consequências
Esse pioneirismo sonoro permitiu o gênero evoluir, sem perder a essência do quintal. Popularizando a roda de samba como espetáculo, músicas com novos timbres, os grupos de pagodes modernos (Exaltasamba, Molejo, Revelação, Soweto e entre outros), além de letras que falavam do cotidiano e da malandragem com poesia.
O grupo Já contou com várias formações e vários sambistas renomados, tais como: Almir Guineto, Jorge Aragão, Arlindo Cruz, Beth Carvalho e entre outros.
Diversas músicas marcantes, como: O Show Tem Que Continuar, A Amizade, Facho de esperança, Fada, Amor Dos Deuses e dezenas de outras.
“Em vários grupos, quando sai um, é difícil de continuar. Mas o Fundo de Quintal não é um grupo, é uma marca”
– Bira Presidente em depoimento dado a Marcos Salles.