Como montar um PC bom e barato em meio à crise de chips?

Como montar um PC bom e barato em meio à crise de chips?

Comprar peças de computador e notebooks vem se tornando uma missão cada vez mais cara e a inteligência artificial (IA) virou a principal vilã no aumento de preços. A demanda por mais data centers para alimentar essa tecnologia cresceu de maneira absurda no último ano. Diversos fabricantes de componentes direcionaram seus esforços para esse segmento e o mercado doméstico pagou o preço.

Apesar da alta dos preços e do fato de os estoques estarem se esgotando rapidamente, há algumas dicas básicas que os consumidores podem seguir. O intuito é gastar menos e tentar driblar a crise com a aquisição de itens de qualidade para montar uma máquina parruda e duradoura.

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Como escolher peças de PCs na crise dos chips?

Antes de encher várias peças no seu carrinho de algum varejista, é preciso ter cautela e entender suas necessidades. Em tempos de crise, planejar bem uma compra é a diferença entre gastar menos ou gastar uma quantia a mais que não era preciso.

Conversamos com o gerente de aplicações da Intel Brasil, Yuri Daglian, que aponta alguns caminhos para sofrer menos durante a crise. “A grande mensagem que eu passaria é pesquisar bastante. Quando a gente olha a dinâmica de qualquer mercado, para saber se é caro ou não, é preciso ver o histórico de preços […] Então eu diria que o consumidor precisa, acima de tudo, pesquisar muito para evitar compras impulsivas”, explica Daglian.

Processador

Se o mundo das GPUs, memórias e armazenamento aumentou consideravelmente de preços, os processadores ainda se mantêm por valores acessíveis. A grande questão, como indica Daglian, é que essas peças são afetadas por um tipo de efeito em cadeia. Se a RAM e um SSD estão caros, não há CPU baratinha que torne a montagem do PC menos custosa aos bolsos.

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Modelos com sufixo 5, como Intel Core 5 ou Ryzen 5 apresentam o melhor custo-benefício (Imagem: Intel)

Escolher um processador muitas vezes vai seguir aquela cartilha de que os modelos Intel Core com sufixo 3 são para uso simples, os 5 são para games e editores iniciantes, e os modelos 7 e 9 já são para usuários avançados. O ideal nesses casos, e na montagem geral do PC, é comprar um componente que consiga atender suas necessidades a curto e médio prazo.

Daglian sugere dois modelos para PCs parrudos: o Intel Core i5-14600K e o Intel Core Ultra 7 265. Do lado da AMD, e seguindo a mesma linha, os Ryzen 5 9600X e o Ryzen 7 9700. Esses são modelos que variam entre R$ 1.100 e R$ 1.800 e vão entregar um excelente desempenho para jogadores e profissionais.

Quem está com o orçamento mais limitado pode mirar os Intel Core i5-12400F e o Ryzen 5 5500 ou 5600, caso os preços estejam parecidos. Os modelos são mais básicos, mas ainda muito indicados para atividades como jogos, enquanto o Intel i5-13100F reina como uma das melhores opções bem baratinhas — apesar do Ryzen 5500 ficar na mesma faixa de preço dos R$ 500 a R$ 600.

“O usuário tem que pensar por que ele quer aquele PC. Qual é o uso final? Sabendo a resposta para essa pergunta, ele consegue direcionar a compra. Todo processador pode ser adequado para as pessoas. Depende do uso. Não tem um processador que não seja adequado”, diz Daglian.

Placa-mãe

Quando a gente chega nas placas-mãe, o tema tende a ficar mais complexo, visto que muitas pessoas apenas compram o modelo mais barato. O especialista exemplifica a importância dessa peça, afinal de contas a quantidade de portas USB, slots para memória e SSD e até a conexão Wi-Fi passam por esse componente.

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Placas-mãe encareceram e ficaram mais escassas no mercado brasileiro. (Felipe Vidal/TecMundo)

Para escolher a mainboard ideal, primeiro é preciso que ela tenha compatibilidade com o processador escolhido. Depois, a quantidade de portas para SSD M.2, onde é legal ter um SSD para o sistema e outro para guardar os demais arquivos. Sobre os canais de memória, na maior parte das vezes apenas dois slots já são suficientes.

RAM

O ponto de maior polêmica dos últimos meses, a memória RAM é indispensável e ficou extremamente mais cara. Com os valores altos, a discussão sobre qual é a quantidade ideal deste componente ressurgiu e mais uma vez depende do uso daquele consumidor.

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Usar apenas dois módulos de RAM no PC já é suficiente. (Imagem :Kingston)

Daglian aponta que os 8 GB de memória ainda são um tipo de ponto de partida. “Quando a gente olha os requisitos do Windows 11, ele recomenda 4 GB. Então, com 8 GB você roda o Windows com aplicações mais simples”, enfatiza o engenheiro da Intel, que cita tarefas como planilhas, edição de slides e algumas abas no navegador.

Contudo, como os próprios navegadores e sistemas estão recebendo múltiplas atualizações de IA, os 8 GB já acarretam algumas travadinhas. Assim como para o público gamer, o ideal seria já começar com 16 GB de memória para ter um uso saudável da máquina. Com preços acima dos R$ 3 mil, kits de 32 GB mais novos se tornaram quase que exclusividade para profissionais.

“Se eu operar com poucos softwares abertos, bem focados nessas aplicações mais simples, pode ser que 8 GB de memória RAM sejam suficientes. Para jogos, já vai ser bem mais sofrido, mesmo aqueles de entrada”, enfatiza Daglian.

Armazenamento

Os SSDs M.2 com o protocolo NVMe se tornaram a principal forma de armazenamento nos últimos anos, mas a implacável crise de componentes afeta todos os tipos dessa peça. Diferente da RAM, que influencia diretamente na fluidez e suavidade da experiência de usar um PC, o armazenamento é mais maleável.

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Ideal para SSDs é algo igual ou acima dos 512 GB. (Imagem: Felipe Vidal/TecMundo)

“Isso vai variar para cada usuário, mas 256 GB são o mínimo aceitável”, diz o especialista. Essa é uma capacidade que já vem em muitos notebooks, por exemplo, e é suficiente apenas para o Windows e aplicativos bem básicos. Quem deseja guardar filmes, séries, vídeos e até jogos simples precisa considerar modelos de 512 GB.

O melhor cenário seria investir em um SSD de 1 TB, mas os preços deste produto quase triplicaram nos últimos seis meses, então não é uma indicação fácil.

“Um SSD de 512 GB com 16 GB de memória RAM já fica um balanço muito interessante”, recomenda o gerente de aplicações da Intel.

Placa de vídeo

Comprar uma placa de vídeo em tempos de crise nunca é uma tarefa simples, já que esse é o componente mais caro de um PC gamer ou para profissionais. Já que o preço dessas peças é muito volátil, o melhor caminho é seguir a mesma lógica da escolha de um processador. Qual é o seu foco com esse componente?

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Placas de vídeo da Nvidia que terminam com os números 50 e 60 apresentam a melhor relação de preços e desempenho. (Imagem: Felipe Vida/TecMundo)

Utilizar sites que comparam e mostram o histórico de preços desses produtos ajuda a entender se aquela peça está muito mais cara ou em um valor normal. A indicação de Yuri para os gamers fica com a Intel Arc B580, que se destaca pelos 12 GB de memória de vídeo. 

Quem precisa de uma GPU para renderização de vídeos ou até mesmo jogar games simples, pode encontrar a RTX 5050 como a melhor opção abaixo dos R$ 2 mil. Modelos como a RTX 5060 e Radeon RX 9060 XT já são bem mais potentes e ainda são encontrados perto dos R$ 2,3 mil em promoções, mas o preço começa a aumentar.

Aqueles que possuem muito dinheiro para gastar e querem se aventurar em jogos em 4K ou vão trabalhar em projetos complexos, têm as RTX 5070 e Radeon RX 9070 XT como melhores opções. Porém, os preços já batem perto dos R$ 5 mil.

Gabinete, cooler e fonte

Os itens acima dependem muito do restante dos componentes escolhidos pelo usuário, então são mais difíceis de sugerir. Embora ainda não estejam sofrendo um forte aumento de preços, esses itens eventualmente devem encarecer por outras razões econômicas, como o TecMundo reportou em primeira mão no começo do ano.

Um levantamento recente indica que o mercado de PCs de entrada baratinhos deve ser extinto em 2028. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.

Autor

  • Gaby Souza é criador do MdroidTech, especialista em tecnologia, aplicativos, jogos e tendências do mundo digital. Com anos de experiência testando dispositivos e softwares, compartilha análises, tutoriais e notícias para ajudar usuários a aproveitarem ao máximo seus aparelhos. Apaixonado por inovação, mantém o compromisso de entregar conteúdo original, confiável e fácil de entender