O Rio de Janeiro encerra no próximo domingo, dia 14, a oitava edição do Cine Diversidade, festival que amplia seu alcance nesta temporada ao reunir produções brasileiras e latino-americanas em formato de curtas-metragens.
Itinerante e atento às questões contemporâneas, o evento passa pelo Museu de Arte do Rio, Arena Carioca Dicró, Cine Bela Maré e Casa Bosque, criando um circuito que ultrapassa a exibição e se posiciona como espaço de análise crítica sobre gênero, sexualidade e modos de existir no mundo.
A expansão temática do festival é resultado direto da atuação das diretoras Karina de Abreu e Karla Suarez, cofundadoras da ColetivA DELAS e responsáveis pela idealização e produção que moldou a identidade do Cine Diversidade desde sua criação.
Com trajetórias que combinam inovação, produção cultural e formação comunitária, ambas afirmam que a edição deste ano responde a urgências contemporâneas.
“A gente entende que o festival não é só uma mostra de curtas”, afirma Karina. “Ele se firmou como um espaço estratégico para discutir crise climática, raça, território, diversidade sexual e modos contemporâneos de existir. É um lugar de encontro, de debate público e de construção simbólica.”
Karla acrescenta que essa ampliação acompanha o próprio movimento da cultura no estado. “A cultura tem sido uma plataforma essencial de educação, cidadania e transformação. Por isso, nossa curadoria busca abraçar complexidades que atravessam o Brasil de hoje, especialmente as que quase nunca chegam ao circuito comercial”, diz a diretora.
MAR recebe programação de debates audiovisuais
O Museu de Arte do Rio será o palco do encerramento. A atriz e cineasta Julia Katharine conduz a conversa Representatividade em Movimento, que aborda a construção de narrativas trans e os impactos de ocupar posições diante e atrás das câmeras.
Logo depois, a sessão Reflexos do Feminino destaca a participação da pesquisadora e roteirista Luana Rocha, que discute como mulheres negras vêm reposicionando suas imagens e protagonismos no audiovisual brasileiro.
Além disso, será realizado o Prêmio Tibira – um reconhecimento às trajetórias que têm marcado a história do audiovisual brasileiro com coragem, representatividade e transformação. E as homenageadas deste ano estão a atriz Renata Carvalho, a roteirista e diretora Denise Saraceni e a atriz e produtora Wescla Vasconcelos.
Mais do que um festival, o Cine Diversidade se coloca como um dispositivo de circulação de saberes, construção de conhecimento e ampliação do acesso. A ColetivA DELAS já realizou mais de 150 ações culturais desde 2016, alcançando mais de 3 milhões de pessoas e gerando milhares de postos de trabalho.
Em um cenário em que a cultura precisa ser tratada como política pública e instrumento de desenvolvimento, o festival se reafirma como força motriz de memória, presença e resistência no estado.
Da formação à exibição, das oficinas às performances, o evento fortalece o papel do cinema independente como expressão fundamental da América Latina contemporânea. Ao criar pontes entre territórios, corpos dissidentes, juventudes criativas e profissionais experientes, o Cine Diversidade reafirma que a produção simbólica continua sendo um dos pilares mais pulsantes do Rio de Janeiro. E que, no encontro entre arte e debate público, o cinema permanece como linguagem capaz de imaginar futuros possíveis.
Para assistir de casa
Para aqueles que não moram no Rio, poderão assistir, entre os dias 15 e 21, todos curtas selecionado para a Cine Diversidade, pelo link: https://bit.ly/VIIICineDiversidade
O Festival Cine Diversidade é uma realização da ColetivA DELAS, com apoio da RIOFILME, Secretaria Municipal de Cultura e da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, e parceria com a plataforma de formação criativa co.liga. A programação completa será divulgada em breve nas redes da ColetivA e no site oficial do festival.
Serviço
MUSEU DE ARTE DO RIO
Data: 14 de dezembro
Horário: das 16h às 20h
Endereço: Praça Mauá, 5 – Centro do Rio de Janeiro
Onde se inscrever:
