A vacina experimental Calixcoca, desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), está em fase final de preparação para iniciar testes clínicos em humanos. O projeto busca atuar no tratamento da dependência de crack e cocaína, substâncias com alto potencial de vício e impacto no sistema nervoso central.
A tecnologia funciona estimulando o organismo a produzir anticorpos que se ligam às moléculas de cocaína no sangue, impedindo que a droga alcance o cérebro e reduza seus efeitos, como a sensação de euforia. Com isso, a proposta é interromper o ciclo de dependência e diminuir o risco de recaídas.
O Ministério da Educação confirmou que o projeto está na etapa final de documentação para início dos ensaios clínicos. O Governo de Minas Gerais destinou cerca de R$ 18,8 milhões para financiar a nova fase. A vacina já possui patente nacional e internacional.
Segundo o secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Fábio Baccheretti, a iniciativa representa um avanço no tratamento da dependência química.
“A Calixcoca é a primeira vacina vinculada ao consumo de crack e cocaína. Esse imunizante já demonstrou uma eficiência muito grande nos testes, até então feitos em camundongos, diminuindo a dependência e os efeitos da droga. E esse investimento de quase R$ 20 milhões fará com que essa vacina passe nessa nova fase de testes, para que em alguns anos ela possa ser utilizada na rede pública”, afirmou.
Resultados pré-clínicos e inovação
Nos testes realizados em animais, a vacina demonstrou segurança e capacidade de induzir a produção de anticorpos. Os estudos também indicaram efeitos positivos em ratas prenhes expostas à droga, com redução de abortos e melhora nas condições dos filhotes.
A Calixcoca se diferencia por ser uma vacina não proteica, baseada na molécula sintética V4N2 (calixareno). O projeto já recebeu prêmios como o Euro Inovação na Saúde (2023) e o Veja Saúde & Oncoclínicas de Inovação Médica (2023).
A expectativa é que, após a conclusão dos testes clínicos e aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a vacina possa ser incorporada à rede pública de saúde em até quatro anos.
