App de IA que cria avatares de parentes mortos gera polêmica

App de IA que cria avatares de parentes mortos gera polêmica

Um novo aplicativo de inteligência artificial que permite criar avatares interativos de parentes falecidos tem gerado intensa polêmica nas redes sociais.

A ferramenta, chamada 2wai, foi cofundada pelo ator Calum Worthy, conhecido por seu trabalho na série “Austin & Ally”, do Disney Channel, e rapidamente se tornou alvo de críticas devido ao modo como utiliza imagens e registros pessoais para recriar entes queridos digitalmente.

Reações após vídeo viral

A controvérsia ganhou força depois que Worthy publicou, no X (antigo Twitter), um anúncio do aplicativo.

O vídeo, que ultrapassou 22 milhões de visualizações, mostra uma mulher grávida conversando com um avatar de sua mãe falecida, criado a partir de uma gravação de apenas três minutos com movimentos e fala da mãe.

Na narrativa, o avatar acompanha momentos importantes da família ao longo de gerações.

Ao final do anúncio, surge o slogan: “Com o 2wai, três minutos podem durar para sempre.” Worthy, ao divulgar o material, afirmou que a empresa busca “construir um arquivo vivo da humanidade” e permitir que “pessoas que já perdemos possam fazer parte do nosso futuro”.

Críticas intensas e acusações de distopia

Apesar da repercussão, o post obteve pouco mais de 6 mil curtidas, número muito inferior às reações críticas.

Usuários chamaram a tecnologia de “desumana”, “demoníaca” e até “uma das ideias mais perversas já criadas”.

Um dos comentários mais curtidos dizia que o aplicativo seria “objetivamente uma das ideias mais malignas imagináveis”, ultrapassando 210 mil likes.

Outros criticaram o uso comercial do luto, já que o app é gratuito para baixar, mas cobra por avatares premium e itens digitais.

Muitos usuários apontaram que esse tipo de tecnologia pode estimular formas pouco saudáveis de lidar com a perda.

Comparações com Black Mirror

As críticas também resgataram comparações com a série britânica Black Mirror, conhecida por retratar distopias tecnológicas. Usuários afirmaram que o app parecia reproduzir fielmente o episódio “Be Right Back”, no qual uma mulher cria uma versão digital do namorado morto.

Essa não é a primeira vez que recursos de IA são associados ao episódio. Em 2022, a Amazon anunciou uma atualização da Alexa capaz de imitar vozes de parentes falecidos — iniciativa que também levantou debates éticos semelhantes.

O que é o 2wai e como funciona

Lançado em versão beta no iOS, o 2wai foi criado por Worthy e pelo produtor Russell Geyser, atual CEO da empresa. O aplicativo permite gerar “HoloAvatars” que conversam em tempo real, apresentam movimentos realistas e sincronização labial.

Além dos avatares criados pelos usuários, a plataforma oferece opções pré-geradas, como uma versão digital do próprio Worthy e até um avatar inspirado em William Shakespeare.

A startup afirma que o objetivo é dar a indivíduos e artistas controle sobre sua própria imagem e voz digital.

A empresa já captou US$ 5 milhões em investimentos seed e mantém parcerias com empresas como British Telecom, IBM e Globe Telecom.

Debate ético deve continuar

O crescimento desse tipo de tecnologia reacende discussões sobre limites éticos da inteligência artificial, privacidade, memória e luto.

A promessa de “eternizar” pessoas levanta preocupações sobre consentimento, impacto psicológico e uso comercial da dor humana, temas que provavelmente seguirão em debate conforme aplicações semelhantes surgem no mercado.

Fonte: Forbes

Autor

  • Gaby Souza é criador do MdroidTech, especialista em tecnologia, aplicativos, jogos e tendências do mundo digital. Com anos de experiência testando dispositivos e softwares, compartilha análises, tutoriais e notícias para ajudar usuários a aproveitarem ao máximo seus aparelhos. Apaixonado por inovação, mantém o compromisso de entregar conteúdo original, confiável e fácil de entender