Que fim levou o Winamp, reprodutor de mídia que fazia sucesso nos anos 2000?

Que fim levou o Winamp, reprodutor de mídia que fazia sucesso nos anos 2000?

No final da década de 1990, ouvir música no computador era uma experiência diferente. Eram poucas as opções de locais para conseguir os arquivos, quase sempre via pirataria, e havia ainda menos alternativa no campo dos softwares de qualidade para organizar e reproduzir essas bibliotecas.

Um desses programas é o Winamp, que se tornou uma verdadeira lenda entre os tocadores de MP3 e outros formatos de música. O sucesso foi tanto que ele é lembrado até hoje por diferentes gerações que ainda têm lembranças de como era a interface o funcionamento dele.

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Com o passar dos anos, entretanto, o mercado mudou bastante: lojas digitais e plataformas de streaming tornaram esse tipo de programa menos popular. O próprio Winamp passou a ser cada vez menos lembrado, a ponto de muita gente sequer saber o que aconteceu com o software depois do auge.

A seguir, relembre a trajetória dessa plataforma e conheça também a atual fase do Winamp, que existe como dois projetos em uma tentativa de agradar públicos bem diferentes.

O início do Winamp

A história do programa começa com o estadunidense Justin Frankel. Na época de universitário, ele entrou em contato com sites de download de músicas em boa qualidade e, ao menos no caso do Windows, não encontrou um reprodutor de músicas em MP3 com a qualidade desejada.

Como um amigo criou um software equivalente para o Mac da Apple e mesmo com pouca experiência em programação, ele resolveu satisfazer essa necessidade própria na prática. O Winamp nasce oficialmente em abril de 1997, fruto da empresa Nullsoft, criada pelo próprio Frankel.

O nome é uma mistura de Windows e Advanced Multimedia Products (AMP), uma biblioteca de codecs para rodar arquivos no ainda novo formato MP3. Logo no começo, nasce também Mike the Llama, o mascote do software.

É nesse ponto também que o Winamp ganha o icônico áudio “Winamp, it really whips the llama’s ass” ao ser instalado — um trecho de uma música obscura que Frankel conhecia e que significa algo como “ele realmente surra o traseiro da lhama”.

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A interface original do programa. (Imagem: Reprodução/Winamp)

Ele começa mostrando o software para amigos e uma comunidade de pessoas que compartilhavam MP3, recebendo sugestões nas versões iniciais e aprimorando o programa aos poucos. Nesse período, outra pessoa se torna cofundadora do projeto, embora seja menos famosa: Dmitry Boldyrev, o “criador conceitual” do Winamp na fase inicial de desenvolvimento.

Nesse período, não havia uma forma digital tão boa de tocar arquivos MP3 quanto a experiência de colocar um CD para tocar no computador — nem mesmo o Windows Media Player trazia muitos recursos ou bom desempenho.

O auge de um software

Por ser um dos primeiros players de MP3 compactos para o Windows e também um dos mais elogiados em termos de interface, o Winamp virou um verdadeiro fenômeno ainda no fim da década de 1990, mas de fato consolidou a posição nos anos 2000.

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A lendária versão 2.0 do Winamp. (Imagem: Reprodução/GitHub)

O Winamp atingiu rápido o marco de 3 milhões de downloads e, em 1998, ganhou a versão 2.0. Com uma interface aprimorada, ela trazia atrativos que são lembrados até hoje, inclusive por não estarem presentes em concorrentes da época ou mesmo plataformas atuais. Os destaques incluíam:

  • a possibilidade de baixar ou desenvolver skins que alteram o visual do programa e transformam ele em uma experiência mais próxima do seu estilo;
  • a forma simples e ao mesmo tempo organizada de criar playlists, com as músicas que vão tocar em sequência;
  • um equalizador que agrada dos públicos novatos até alguns veteranos mais exigentes, com alavancas e botões de ajuste;
  • uma interface modular, com partes “destacáveis” e organizadas por meio de janelas flutuantes;
  • o analisador de frequências, com animações visuais que ficam sincronizadas com a batida da música em andamento;
  • o suporte para formatos variados além do MP3, incluindo MIDI, MPEG-1, AAC, M4A, FLAC, WAV e WMA;
  • os plugins que permitiam o uso dele com outras ferramentas, como mostrar o que você estava ouvindo no momento dentro do Windows Live Messenger (o antigo MSN).

O sucesso fez a Nullsoft ser vendida para a gigante da tecnologia AOL em 1999 por US$ 80 milhões. Só que a notícia não era tão positiva: essa companhia, antes uma lenda do período de internet discada e mídias online, tenderia nos anos seguintes a não cuidar tão bem das suas propriedades.

Em 2000, o Winamp chegou a ter 25 milhões de usuários registrados, um número muito expressivo para o período. Versões seguintes, como o Winamp 5 (de 2003), mantém o programa como referência por mais alguns anos junto das skins desenvolvidas pela comunidade.

A queda do tocador de MP3

Na gestão da AOL, o Winamp passou a ser cada vez menos uma prioridade. Em 2013, a companhia chegou a anunciar o fim da divisão, o que significava também o encerramento do desenvolvimento do programa. O Winamp foi comprado pela empresa belga Radionomy no ano seguinte. Uma nova versão surgiu apenas em 2018, a Winamp 5.8, mas nesse período o mercado já era outro.

Tocadores como o iPod e a melhora gradual na memória de celulares fez com que o hábito de ouvir música somente no computador não fosse mais tão comum. Além disso, plataformas de streaming de áudio como Spotify, Deezer, Tidal e Apple Music estavam se estabelecendo como alternativas viáveis contra as bibliotecas de MP3.

Novas atualizações do Winamp até foram lançadas nos anos seguintes com adições e correções pontuais, mas já longe do mesmo apelo anterior.

O que aconteceu com o Winamp?

O Winamp ainda existe, mas a resposta é um pouco mais complexa do que isso. Basicamente, tanto o software quanto a empresa seguem vivas, mas sob propósitos distintos.

A Radionomy, que mudou o próprio nome para Winamp Group, relançou o projeto em 2023 com foco em ser uma plataforma de streaming de áudio legalizada. O novo Winamp existe até hoje, inclusive com aplicativos para dispositivos móveis.

Além de não ser bem visto por incluir recursos como NFTs, ela foi criticada por ter uma versão de código aberto que, na verdade, trazia códigos proprietários de outras companhias e adicionar termos de uso que desagradavam os fãs.

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O novo e menos popular player da empresa. (Imagem: Reprodução/Winamp)

O programa adorado pelos fãs de anos atrás ainda pode ser baixado na forma do Legacy Player — a última versão do Winamp original, porém agora sem qualquer suporte da equipe de desenvolvimento e alguns problemas de compatibilidade com hardwares atuais. Ainda assim, essa é uma alternativa para quem gostaria de reviver a nostalgia ao menos mais uma vez.

Frankel, o cofundador, foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento do protocolo Gnutella, base de softwares de download de músicas piratas como o LimeWire — algo que a AOL não gostou de ver ser desenvolvido em um escritório que agora pertencia a ela.

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As skins do Winamp marcaram época: havia uma alternativa para cada gosto ou personalidade. (Imagem: Reprodução/Winamp Web Museum)

Ele saiu da empresa em 2004, já com um clima insustentável no escritório. Já em carreira solo novamente, o programador criou também o Reaper, um software que funciona como estação de trabalho para o campo do áudio digital.

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Autor

  • Sou criador do MdroidTech, especialista em tecnologia, aplicativos, jogos e tendências do mundo digital. Com anos de experiência testando dispositivos e softwares, compartilha análises, tutoriais e notícias para ajudar usuários a aproveitarem ao máximo seus aparelhos. Apaixonado por inovação, mantém o compromisso de entregar conteúdo original, confiável e fácil de entender