Toyota Aygo X 2026: fiz consumos incríveis, mas tem um problema.
O novo Toyota Aygo X 2026 é, muito provavelmente, um dos melhores carros do seu segmento. Aliás, é um daqueles carros que nos faz lembrar o porquê de sempre ter existido uma certa magia dentro do mundo automóvel. É pequeno, ágil, muito fácil e divertido de conduzir, bem equipado e, acima de tudo, consegue fazer consumos que metem respeito a qualquer tipo de condutor, até aos mais poupadinhos.
O problema é que, em Portugal, há sempre qualquer coisa pronta a estragar uma boa ideia. Neste caso, é o preço.
Porque sim, a Toyota fez aqui um trabalho muito interessante. Mas também é verdade que a fiscalidade portuguesa pegou nesse trabalho e decidiu empurrar o pequeno citadino para um patamar de preço onde deixa de fazer tanto sentido.
Algo cada vez mais comum no nosso mercado, porque a corrida à eficiência e à limitação dos gases poluentes das grandes fabricantes bate sempre contra um sistema fiscal que já está cansado e começa a ser irritante em Portugal.
Um Aygo X que parece um brinquedo mas é um carro a sério.
Antes de mais nada, o novo Aygo X vem com uma mudança importante na história deste pequeno modelo da Toyota. Isto porque deixa para trás o antigo motor 1.0 de três cilindros e passa a usar uma motorização híbrida com um bloco 1.5 a gasolina que tem a ajuda de um motor elétrico.
Sim, estamos basicamente a falar da mesma base híbrida que já conhecemos do Yaris. Mas aqui temos um produto mais leve. Por isso, o resultado é um salto gigante na potência que sobe para 116 cv, muito longe dos cerca de 70 cv da geração anterior.
No final do dia, aquilo que antes era apenas um citadino simpático passa a ser um pequeno carro com outro tipo de andamento, outra disponibilidade e outra maturidade. É muito “despachado”, com um dinamismo que honestamente não se espera quando metemos os olhos em cima deste Aygo pela primeira vez.
Por fora é um Aygo, por dentro é algo mais.
Está mais composto. Sim, visualmente o Aygo X não muda de forma radical. Continua a apostar num estilo de “mini-carro” super urbano que pode parecer algo estranho à primeira vista, mas que acaba por lhe dar alguma personalidade. Especialmente quando se olha para tudo o que mexe nas estradas portuguesas. É um carrinho brincalhão que salta à vista.
Mas o modelo cresceu quase 8 centímetros, ficando agora com 3.78 metros de comprimento, com esse crescimento a ser sentido sobretudo na zona dianteira.
Além disso, a frente foi redesenhada, a grelha está mais pronunciada e as óticas também receberam alterações. Nada disto revoluciona o carro, mas melhora claramente o conjunto.
Continua a ser um carro pequeno, mas agora parece ter alma de carro grande. Isso é importante.
Por dentro é exatamente aquilo que se espera de um Toyota
A Toyota, como marca japonesa, continua a ser muito comedida naquilo que faz dentro dos seus carros. Ainda assim, dentro da simplicidade, o Aygo X mostra bem aquilo que a Toyota sabe fazer.
Não há materiais premium por todo o lado, porque é uma proposta honesta que aposta na qualidade/preço. Ainda assim, tudo parece bem construído e até dá a sensação de ser mais caro do que aquilo que realmente é.
Mais importante que tudo isto, a posição de condução é boa, os comandos são simples de usar e a tecnologia disponível cumpre sem grandes invenções. Temos um painel digital, sistema multimédia atualizado e uma experiência geral mais moderna do que aquilo que normalmente se encontra neste tipo de carro.
Mas… há problemas, claro. O espaço atrás continua apertado e nunca poderá ser considerado um carro de família. Além disso, a bagageira, com cerca de 231 litros, mantém-se bastante modesta.
Para o dia-a-dia está ótimo. Mas para maiores exigências, é complicado.
A grande surpresa está mesmo na condução!
O carro tem vida. Responde muito bem, é apontado, e apesar de não ser um desportivo, mete facilmente um sorriso no rosto do condutor.
Na prática, isto traduz-se num carro muito mais agradável de usar no dia-a-dia.
É um daqueles automóveis que tens de experimentar para perceber. Vale mesmo a pena.
E os consumos? Muito honestamente, impressionam!
Quando ando em ensaios sou sempre mais exigente. Especialmente quando tenho a oportunidade de ouvir um motor a combustão a “ronronar”. Por isso, andei a fazer médias de cerca de 4.2 litros aos 100 km.
Isto é… mesmo muito bom.
Em utilização normal, qualquer condutor vai andar facilmente entre os 3.7 e os 3.9 litros que a marca anuncia. Ou, se tiver mesmo cuidado com o pé direito, até abaixo disso.
Se há coisa que este Aygo X faz mesmo bem, é gastar pouco.
O problema está no nosso mercado. Portugal continua a ter uma realidade fiscal absurda.
A introdução do motor 1.5 híbrido, apesar de fazer todo o sentido do ponto de vista técnico, bate de frente com a realidade portuguesa.
Ou seja, ao deixar de usar o antigo motor 1.0 e passar para um bloco maior, o Aygo X sofre um agravamento fiscal superior a 2.000 euros em ISV.
Resultado? O preço dispara.
Um carro deste tipo a rondar os 25 mil euros tem naturalmente a vida dificultada no mercado. Porque, a esse preço, já se começa a olhar para carros maiores, mais espaçosos e mais versáteis.
Em suma… É excelente. Mas custa mais do que devia.
O novo Aygo X é mais carro, aparecendo melhor em quase tudo. Gasta muito pouco, também é pouco poluente e oferece uma experiência de condução que não estávamos à espera de encontrar num citadino deste segmento.
Mas é caro. Não porque a Toyota quis lançar um carro caro, mas por causa dos impostos.








