O debate sobre o fechamento de supermercados aos domingos tem avançado no Brasil, impulsionado pela tramitação da PEC 148/2015, que propõe mudanças na jornada de trabalho. A medida, já testada por redes em estados como o Espírito Santo, envolve impactos trabalhistas, operacionais e financeiros para o setor.
Entre os possíveis efeitos está a redução no consumo de energia elétrica. Estimativas da NEO Estech apontam que uma diminuição média de 5% no consumo das 500 maiores redes do país, que somam mais de 10 mil lojas, pode gerar economia anual de até R$ 114 milhões — cerca de R$ 11 mil por unidade.
Na prática, o fechamento das lojas reduz significativamente o consumo energético. Um atacarejo de 4 mil metros quadrados, por exemplo, pode reduzir o gasto diário de 6.609 kWh para 3.534 kWh, gerando economia mensal de aproximadamente R$ 7,3 mil. Já supermercados do mesmo porte podem economizar cerca de R$ 9,3 mil por mês.
Apesar do potencial de economia, o modelo traz riscos operacionais. O fechamento prolongado pode resultar em períodos de até 34 horas sem inspeção direta de equipamentos essenciais, como sistemas de refrigeração e climatização, aumentando a probabilidade de falhas e perdas de produtos perecíveis.
Segundo Sami Diba, CEO da NEO Estech, problemas técnicos podem passar despercebidos durante esse intervalo.
“Quando a falha é identificada, o prejuízo já está consolidado, seja pela perda de mercadorias ou pelo risco sanitário”, afirma.
Além dos impactos financeiros, o cenário também pode afetar a reputação das redes. Produtos armazenados fora dos padrões adequados podem comprometer a experiência do consumidor e gerar questionamentos sobre segurança alimentar.
Especialistas apontam que a adoção do fechamento aos domingos exige monitoramento contínuo, protocolos de resposta rápida e maior controle sobre a infraestrutura crítica. Sem essas medidas, a economia com energia pode ser anulada por perdas operacionais.
“Entendo que o fechamento das lojas aos domingos não é apenas uma decisão trabalhista ou de eficiência energética, mas sim uma decisão que exige uma abordagem mais robusta de gestão de risco. Sem processos adequados de monitoramento, protocolos de resposta rápida e visibilidade em tempo real sobre a infraestrutura crítica, a economia obtida com a redução do consumo de energia pode ser facilmente anulada por perdas mais severas”, finaliza Sami.
