como reverter a crise global de desengajamento

como reverter a crise global de desengajamento


O mais recente  State of the Global Workplace  da Gallup trouxe um alerta: apenas 27% dos gestores no mundo se sentiram engajados em 2024, contra 30% no ano anterior.

Mulheres e jovens lideranças foram os grupos com maiores quedas. No Brasil, o índice é ligeiramente superior à média global, mas ainda assim considerado alarmante pelos especialistas.

As consequências são claras: quando gestores se desconectam, produtividade, retenção de talentos e moral das equipes despencam.

Segundo a Hogan Assessments – empresa referência em avaliação de personalidade no trabalho e desenvolvimento de liderança, esse cenário não é surpresa. Muitas organizações promovem profissionais de alto desempenho a cargos de gestão sem avaliar competências críticas como adaptabilidade e inteligência emocional.

Em ambientes de alta pressão, características de personalidade como desconfiança, evitamento ou excesso de controle acabam sendo amplificadas, corroendo a confiança da equipe. Além disso, quando valores pessoais não se alinham aos incentivos da empresa, a motivação enfraquece, e a falta de apoio ou de oportunidades de desenvolvimento – sobretudo para mulheres – agrava o problema.

“Engajamento de gestores não é apenas um indicador de RH, é um termômetro da saúde organizacional”, afirma Allison Howell, VP de Inovação de Mercado da Hogan Assessments. “Essa crise pode ser evitada, desde que entendamos as dinâmicas de personalidade e os desalinhamentos sistêmicos que a alimentam.” A seguir, cinco estratégias que podem ser aplicadas já para reverter esse cenário:

1. Reconhecer como a pressão amplia comportamentos de risco

Situações de estresse não criam falhas, mas potencializam traços que prejudicam a liderança, como evitamento ou excesso de controle. Identificar esses padrões cedo permite treinar gestores em técnicas de resiliência, comunicação adaptativa e gestão de pressão.

2. Repensar os critérios de promoção

Resultados individuais não garantem sucesso na liderança. Além de performance, é essencial avaliar inteligência emocional, adaptabilidade e capacidade de inspirar equipes. Promover apenas pelo histórico pode levar a frustrações e queda de engajamento.

3. Alinhar valores e incentivos

Quando valores pessoais entram em conflito com a cultura ou os sistemas de recompensa da empresa, o engajamento sofre. Líderes orientados à colaboração, por exemplo, podem se desmotivar em ambientes altamente competitivos. Compreender esses drivers e ajustar incentivos ajuda a manter a motivação.

4. Investir em autoconhecimento

Treinamentos técnicos são fundamentais, mas é o autoconhecimento que diferencia líderes medianos dos excepcionais. Reconhecer forças, riscos e pontos cegos aumenta a capacidade de adaptação e fortalece a segurança psicológica das equipes.

5. Combater as barreiras de gênero

Apesar do mesmo potencial de liderança, mulheres enfrentam obstáculos adicionais, como acesso desigual a desenvolvimento e falta de patrocínio de líderes seniores. Eliminar essas barreiras é essencial para reduzir a queda de engajamento e garantir diversidade na liderança.

Sem ações concretas, a crise atual pode comprometer o futuro das organizações, alimentando burnout, rotatividade e equipes desmotivadas. Por outro lado, enfrentar as causas estruturais do desengajamento permite preservar a próxima geração de líderes e construir vantagem competitiva em um cenário cada vez mais imprevisível.

Autor

  • Gaby Souza é criador do MdroidTech, especialista em tecnologia, aplicativos, jogos e tendências do mundo digital. Com anos de experiência testando dispositivos e softwares, compartilha análises, tutoriais e notícias para ajudar usuários a aproveitarem ao máximo seus aparelhos. Apaixonado por inovação, mantém o compromisso de entregar conteúdo original, confiável e fácil de entender