62,9% dos brasileiros não sabem quanto gastam por mês, aponta estudo

62,9% dos brasileiros não sabem quanto gastam por mês, aponta estudo

Ganhar mais dinheiro não tem sido sinônimo de tranquilidade financeira no Brasil. Um estudo com mais de 10 mil alunos de uma escola de educação financeira, indica que o aumento da renda ao longo da vida profissional não tem se traduzido, necessariamente, em segurança financeira ou estabilidade no orçamento familiar.

De acordo com o levantamento, 62,9% dos entrevistados afirmam não saber exatamente quanto gastam por mês. Além disso, 60,2% não possuem qualquer tipo de reserva financeira, e 56,9% dizem nunca ter conseguido juntar dinheiro.

Os dados expõem um paradoxo recorrente nas finanças pessoais. Mesmo apresentando níveis de endividamento inferiores à média nacional, parte significativa dos entrevistados permanece em situação de vulnerabilidade.

Quase metade (45%) consegue poupar apenas em alguns meses do ano, enquanto 35,2% já chegaram a formar uma reserva financeira, mas acabaram utilizando o valor posteriormente.

Outros 39% afirmam não saber exatamente o que significa construir patrimônio, embora 85% apontem esse objetivo como prioridade.

Segundo Breno Nogueira, parte dessa dificuldade está relacionada à pressão constante enfrentada pelas famílias brasileiras.

“Muitos brasileiros se sentem ensanduichados: de um lado, uma renda média considerada baixa; do outro, um custo de vida cada vez mais alto, com gastos inevitáveis como plano de saúde, moradia, transporte e educação dos filhos”, explica.

Outro fator apontado pelo educador é o comportamento após aumentos de renda. Ele observa que ganhos extras costumam ser acompanhados por elevações imediatas no padrão de vida, o que compromete qualquer margem de folga financeira.

“Troca de carro, mudança para um imóvel mais caro ou aumento das despesas fixas costumam acontecer quase automaticamente. A pessoa olha apenas para a ‘foto’ do momento e sente que merece esse upgrade, sem enxergar o impacto no médio e longo prazo”, afirma.

Riscos na formação de patrimônio

Para Breno Nogueira, o problema não está apenas em ganhar ou gastar mais, mas na forma como o dinheiro é utilizado.

Segundo ele, ao acumular as primeiras economias, geralmente entre R$ 20 mil e R$ 40 mil, muitas pessoas tentam multiplicar o valor rapidamente e acabam recorrendo a apostas ou investimentos de alto risco, sem o preparo necessário.

“Em vez de formar uma base patrimonial, colocam tudo em jogo”, alerta.

Outro erro frequente, segundo o especialista, é avançar na aquisição de patrimônio sem planejamento adequado, como a troca de imóvel apenas porque a renda atual permite assumir parcelas mais altas.

Sem reserva financeira ou previsibilidade de renda, qualquer oscilação pode transformar o que parecia um avanço em um risco real de perda, especialmente quando o bem anterior é vendido para viabilizar a nova compra.

Especialistas em educação financeira apontam que o controle regular de gastos e a construção gradual de reservas continuam sendo desafios centrais para a maioria dos brasileiros, reforçando a importância de planejamento financeiro e de maior disseminação de conhecimentos básicos sobre finanças pessoais no país.

Autor

  • Gaby Souza é criador do MdroidTech, especialista em tecnologia, aplicativos, jogos e tendências do mundo digital. Com anos de experiência testando dispositivos e softwares, compartilha análises, tutoriais e notícias para ajudar usuários a aproveitarem ao máximo seus aparelhos. Apaixonado por inovação, mantém o compromisso de entregar conteúdo original, confiável e fácil de entender