A Valve vem investindo silenciosamente em tecnologias de emulação para dispositivos com chips Arm, preparando terreno para uma provável “STEAM MOBILE“.
A informação surgiu após declarações oficiais da empresa sobre o uso dessas ferramentas em seu novo dispositivo Arm, o headset Steam Frame.
Embora o suporte à emulação pareça natural diante do anúncio do Steam Frame, um detalhe chamou atenção: a Valve não apenas utiliza o emulador open source FEX, mas também foi a responsável por iniciar o projeto e financiá-lo desde o começo.
Valve deu início ao FEX e financiou seu desenvolvimento por sete anos
Em entrevista ao The Verge, o engenheiro da Valve Pierre-Loup Griffais revelou que a empresa procurou especialistas para iniciar o desenvolvimento do FEX, ferramenta essencial para rodar jogos nativos de Windows em hardware Arm sem necessidade de port.
“Conversamos com alguns desenvolvedores que sabíamos ser ideais para esse tipo de iniciativa, algo de longo prazo, que exigia um conjunto muito específico de especialistas. Trabalhamos para convencê-los a começar o projeto e temos financiado tudo desde então”, afirmou Griffais.
A informação foi reforçada por Ryan Houdek, principal desenvolvedor do FEX, que agradeceu à Valve por ter apoiado o projeto “desde o início”. Houdek explicou que a empresa deu liberdade total para construir o emulador como uma ferramenta aberta e sustentável, útil não apenas para a Valve, mas para toda a comunidade.
Segundo Griffais, a empresa começou a trabalhar na ideia de suportar hardware Arm ainda em 2016. “Sabíamos que seriam quase dez anos de trabalho antes de termos algo robusto, em que as pessoas pudessem confiar para rodar suas bibliotecas.”
É tudo colaborativo, mas muita gente esquece que Valve e outras empresas estão ajudando também em projetos importantes de emulação no Android.
Falamos disso num short assim que o Steam Frame foi anunciado:
Emulação pode trazer jogos de PC para celulares sem ports
Combinado com outras tecnologias apoiadas pela Valve, como o Proton, o FEX já está sendo usado para alimentar alguns dos principais emuladores de PC em celulares com processadores Arm. Na prática, isso abre as portas para um futuro onde jogos de Windows podem ser executados diretamente em smartphones e tablets — sem precisar de versões mobile ou portes dedicados.
Para o público mobile, isso é especialmente relevante. A possibilidade de rodar jogos de PC nativamente em aparelhos Android avançados pode transformar o cenário dos jogos portáteis e trazer títulos que antes dependiam de cloud gaming ou versões simplificadas.
Estratégia nasce dos erros do passado
A aposta da Valve na emulação é consequência de aprendizados da falha das antigas Steam Machines, cuja principal limitação era justamente a falta de jogos compatíveis. Com soluções como Proton e FEX, a empresa quer impedir que desenvolvedores precisem gastar tempo e recursos fazendo ports.
“Preferimos que os desenvolvedores invistam seu tempo tornando seus jogos melhores ou criando os próximos projetos”, disse Griffais. “Acreditamos que o trabalho de port é, essencialmente, trabalho desperdiçado quando pensamos no valor da biblioteca.”
E a Valve no mobile?
Apesar do avanço que suas tecnologias têm trazido para dispositivos móveis, a Valve ainda não confirma qualquer plano concreto para o setor. No momento, o foco oficial segue nos segmentos de sala de estar, PCs e dispositivos portáteis como o Steam Deck.
Mesmo assim, o impacto indireto é evidente: ao financiar tecnologias-chave como o FEX, a Valve está pavimentando o caminho para que jogos de Windows rodem em celulares — e pode acabar influenciando fortemente o futuro dos jogos mobile sem sequer lançar um produto próprio.
Fonte: GameSpot
