O cartão de crédito continua avançando no orçamento das famílias brasileiras e ganhando espaço nas compras do dia a dia. Levantamentos da Abecs mostram que o uso de cartões, principalmente o crédito, cresce ano após ano no comércio físico e online. O mesmo movimento aparece em outro indicador: segundo o SPC, cerca de 80 milhões de pessoas terminaram o ano endividadas.
Para Breno Nogueira, influenciador e especialista em planejamento financeiro, a preferência pelo crédito no dia a dia cria uma percepção de renda maior do que a real. Ele afirma que o uso mais frequente do débito ajuda a manter o orçamento sob controle e reduz riscos como perda de renda, acúmulo de parcelas e cobranças não planejadas.
A seguir, os principais problemas enfrentados por usuários de cartão de crédito, segundo o especialista:
- O cartão transforma o salário em “pagador de fatura”
Quando o cartão concentra a maior parte das despesas, o salário passa a ser direcionado principalmente para o pagamento da fatura. Segundo Breno, isso faz com que muitas famílias terminem o mês sem sobra e continuem recorrendo ao crédito no mês seguinte. No débito, o impacto do gasto é imediato. - Gastos variáveis ficam menos visíveis no crédito
Despesas do dia a dia, como alimentação e pequenos serviços, tendem a se acumular no crédito e só aparecem na fatura. No débito, a saída do valor em tempo real obriga ajustes imediatos, o que ajuda no controle. - Parcelamentos competem com despesas essenciais
Compras parceladas criam compromissos futuros que, somados, passam a disputar espaço com contas fixas. Breno afirma que o parcelamento exige controle e que o débito evita compromissos prolongados quando o orçamento já está pressionado. - Muitos cartões dificultam o controle
Quanto mais cartões ativos, maior a chance de perda de controle sobre gastos e cobranças. Para quem busca reorganizar as finanças, a orientação é reduzir a quantidade de cartões e priorizar o débito. - Limite não é renda
Um erro comum é tratar o limite como parte do salário. O crédito representa apenas uma antecipação de renda futura. Quando o consumidor depende do limite para fechar o mês, qualquer imprevisto aumenta o risco de endividamento. Segundo Breno, priorizar o débito ajuda a alinhar o orçamento ao dinheiro disponível.
